05 ago Geração Z está menos motivada que demais profissionais
Geração Z está menos motivada que demais profissionais
Pesquisa mostra que a maioria dos trabalhadores brasileiros (71%) ouvidos em uma pesquisa está engajada em seus empregos, mas somente 28% dos profissionais mais jovens dizem o mesmo.
A maioria dos trabalhadores brasileiros (71%) ouvidos em uma pesquisa se sente motivada em seus empregos, mas somente 28% dos profissionais da geração Z dizem o mesmo. Essas são algumas das principais descobertas da terceira edição do estudo “Employees Rising”, realizado pela consultoria global de gestão United Minds.
O levantamento ouviu cerca de 2 mil trabalhadores em 14 países, incluindo o Brasil. “A geração Z ainda se sente muito carente em relação à flexibilidade e a questões de saúde mental”, pontua Rodolfo Araújo, vice-presidente da United Minds para a América Latina.
Além disso, no Brasil, 74% dos profissionais dizem confiar no CEO da empresa onde trabalham, mas só 27% da geração Z tem essa mesma opinião. O especialista observa que é natural vincular a figura dos líderes mais seniores das organizações a uma ideia de relação de trabalho que para a geração Z já não faz tanto sentido.
“[Os jovens profissionais] não querem reproduzir certos valores ou práticas, seja de despriorizar a saúde mental, de não olhar para o impacto daquilo que fazem ou não querer ver empresas descompromissadas ou descontextualizadas de agendas que para eles são relevantes”, argumenta Araújo. “E a gente ainda não tem uma transição geracional de CEOs a ponto de fazer com que eles [da geração Z] sintam uma identificação com esses líderes”.
A pesquisa apontou, ainda, que enquanto 85% dos brasileiros se dizem muito satisfeitos no emprego atual e 89% recomendariam a empresa onde atuam como um lugar para trabalhar, apenas 67% no mundo têm a mesma opinião.
Araújo comenta que, dez anos após a primeira edição do estudo, há a percepção de que houve um aumento ou uma manutenção de alto nível na satisfação, felicidade e conforto das pessoas em estarem em seus locais de trabalho. “No entanto, há uma contradição nessa felicidade, porque ela não se converte em defesa da marca, nem na retenção dos profissionais e muito menos na formação de pessoas embaixadoras das marcas para as quais elas trabalham”, complementa.
Prova disso é que o levantamento mostrou que 37% dos trabalhadores do Brasil e 40% do mundo sairiam de seus empregos, mesmo estando satisfeitos. “Isso significa que ainda há uma sensação de que existem pontos a evoluir”, detalha Araújo. “Isso tem a ver, sobretudo, com questões relacionadas a tratamento injusto, má gestão, demissões, além de mudanças muito radicais no ambiente de trabalho, seja de estrutura ou de liderança”.
O vice-presidente da United Minds destaca que, atualmente, o mundo opera com novas variáveis na relação entre empregado e empresa, além de as pessoas estarem mais atentas a eventuais dissonâncias entre teoria e prática nos discursos das marcas e promessas não cumpridas.
Ele relata que as empresas, de modo geral, evoluíram na promoção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, mas diz que a autonomia é outro fator importante. “As pessoas que têm mais autonomia para trabalhar geram mais impacto e se sentem mais valorizadas, satisfeitas e produtivas. Aí sim elas se sentem mais propensas a defender os empregadores e não sairiam amanhã”, explica.
O executivo recomenda que as empresas passem a pensar além das experiências de “onboarding” das pessoas. “É preciso olhar para a cultura, para as capacidades dos líderes, e oferecer recursos que apoiem o desenvolvimento de profissionais mais autônomos, conscientes, responsáveis e que gerem impacto”, sugere. “Também é fundamental criar uma cultura de empoderamento, que acredite no potencial das pessoas, que as coloque no centro e aposte nelas. Isso depende de priorização, investimentos e de entender que as pessoas são importantes para o negócio”, enumera.
Por fim, ele diz que as empresas não devem mais “atacar os sintomas” de maneira específica. “Cada vez mais, a mudança da experiência das pessoas vai precisar melhorar, e as empresas vão se beneficiar disso quando ela for estrutural, ou seja, fizer parte da cultura e da liderança”, analisa.
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