Goldman Sachs eleva salário de novatos após críticas

Goldman Sachs eleva salário de novatos após críticas

Publicado em 3 de agosto de 2021

Movimento é reação a queixas de esgotamento em razão do excesso de trabalho durante a grande onda de aquisições durante a pandemia.

O Goldman Sachs se somou à lista dos grandes bancos de investimento que elevaram o salário dos funcionários iniciantes em reação a suas queixas de esgotamento em razão do excesso de trabalho durante a grande onda de aquisições vista durante a pandemia.

Analistas em seu primeiro ano de firma agora ganharão um salário-base de US$ 110 mil, com aumento para US$ 125 mil no segundo ano, segundo fontes a par da decisão. Os que ocupam o cargo de associado, um pouco mais alto, também terão o salário elevado, para US$ 150 mil.

Os aumentos farão com que o Goldman Sachs tenha um dos pacotes salariais iniciais mais generosos no setor. Os números não incluem bonificações anuais, que podem multiplicar os salários nos anos mais movimentados.

O Goldman Sachs não quis comentar o assunto.

O banco vinha tendo um debate interno acirrado sobre a questão salarial. Alguns executivos de alto escalão argumentavam que elevar os salários dos funcionários juniores, que são fixos e cujo número não pode ser reduzido facilmente, poderia configurar um “perigoso precedente” e atrair “mercenários”, segundo noticiado pelo “Financial Times” em julho.

O Goldman Sachs, contudo, se viu forçado a isso pelos bancos rivais e pelos temores de que poderia perder os novatos mais promissores para firmas de private equity ou de tecnologia, que têm um salário comparável e normalmente permitem um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

O Morgan Stanley informou seus novos analistas na semana passada de que ganhariam US$ 100 mil no primeiro ano e US$ 105 mil no segundo – antes, ganhavam US$ 85 mil e US$ 95 mil, respectivamente.

As decisões se seguem a aumentos entre US$ 15 mil e US$ 25 mil anuais nos salários do J.P. Morgan, Barclays, Citigroup e Bank of America, entre outros, que agora também pagarão cerca de US$ 100 mil ao ano para funcionários iniciantes.

O Credit Suisse e o Jefferies também ofereceram aos funcionários novatos benefícios como um bônus adicional único de “estilo de vida” e uma bicicleta ergométrica Peloton grátis.

O problema do esgotamento no trabalho entre os funcionários novatos tornou-se particularmente delicado no Goldman Sachs depois de um grupo de funcionários em seu primeiro ano de firma ter comentado sobre o impacto das horas exaustivas de trabalho sobre a sua saúde mental.

Eles disseram, em uma apresentação altamente compartilhada, que trabalhavam cerca de 95 horas por semana, iam dormir às 3h da madrugada e tinham apenas cinco horas de sono por noite.

Em resposta, o Goldman Sachs prometeu contratar mais pessoal para distribuir a carga de trabalho e garantiu que os iniciantes teriam alguns fins de semana de folga, a não ser que estivessem trabalhando em alguma aquisição em andamento.

O executivo-chefe do Goldman Sachs, David Solomon, adotou uma linha dura contra esquemas flexíveis de trabalho quando os escritórios reabriram. “[É] uma anormalidade que corrigiremos o mais cedo possível”, disse sobre o trabalho em casa.

O executivo-chefe do Morgan Stanley, James Gorman, foi igualmente rígido e disse aos seus funcionários: “Se vocês podem ir a um restaurante na cidade de Nova York, então podem vir ao escritório.”

Em contraste, outros bancos como Citigroup e UBS propagandearam a adoção de práticas híbridas de trabalho como uma vantagem para os novatos sendo recrutados.

Os aumentos salariais no setor chegam em meio aos lucros dos bancos de investimento com a assessoria ao grande número de operações de fusões e aquisições observado durante a pandemia de covid-19.

O lançamento de mais de 500 empresas de aquisição de propósito específico (Spacs, na sigla em inglês) desde o início de 2020, que levantam dinheiro no mercado acionário e depois “caçam” empresas para abrir seu capital, levou a um aumento considerável nas horas de trabalho desses profissionais.

Os bancos de investimento historicamente evitam conceder grandes aumentos nos salários fixos, que são mais difíceis de reduzir em tempos de baixa atividade. Em vez disso, as instituições tendem a remunerar os funcionários com bonificações que podem ter variações enormes de um ano a outro, dependendo do desempenho pessoal e dos bancos como um todo.

Os analistas e associados do Goldman Sachs normalmente ganhavam em seu primeiro ano menos que os colegas em outros bancos, segundo o site Wall Street Oasis, que acompanha a remuneração no setor.

Na média, os analistas do banco ganhavam um salário de aproximadamente US$ 86 mil no primeiro ano de trabalho, mais um bônus de US$ 37,5 mil, abaixo da média de Wall Street, de US$ 91,4 mil e US$ 39,7 mil, respectivamente.

Fonte: Valor Econômico
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