Governo deve apresentar proposta sobre desoneração

Governo deve apresentar proposta sobre desoneração

Publicado em 23 de setembro de 2021

Deputado diz que Planalto pretende encontrar uma “solução definitiva” para financiar previdência.

O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) reuniu-se ontem com o ministro da Economia, Paulo Guedes, com o objetivo de discutir uma “solução definitiva” para a desoneração da folha de salários das empresas e ouviu que o governo deve apresentar a parlamentares na próxima semana uma proposta mais clara sobre o tema, a qual permitiria ampliar para vários setores o benefício.

“A ideia é ampliar a arrecadação sem aumentar imposto. Vai ter que ter uma substituição no formato de cobrança”, afirmou Goergen, sem entrar em detalhes para, segundo ele, “não gerar ruído”. O parlamentar relatou que se reunirá com empresários na terça-feira e levará outros deputados para uma nova conversa no ministério no dia seguinte.

Goergen foi relator na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara do projeto que prorroga por cinco anos a vigência da política de desoneração da folha de salários para os 17 setores que mais empregam no país.

O texto foi aprovado, apesar das resistências do governo, e agora se encontra em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo o deputado, a conversa com Guedes foi sobre uma alternativa para desonerar a folha para mais setores, com o objetivo de estimular a geração de empregos formais. Para isso, seria preciso encontrar uma fonte de receita que o deputado negou ser uma CPMF, mas admitiu que pode ser um imposto sobre transações financeiras.

“Isso é diferente. Pode haver isso. A tese do ministro é o imposto digital, a dos empresários é o microimposto. Isso poderá ter, com limitações. Mas a CPMF como está não, e não defendo aumento de imposto. Isso nem o ministro defende. Poderá ter uma mudança de onde se cobra esse imposto, que não pese para ninguém”, afirmou.

A proposta para ampliar a desoneração da folha e encontrar uma solução “permanente” para a questão é paralela ao projeto para prorrogar a vigência da política para os 17 setores, prevista para acabar este ano. A Câmara seguirá trabalhando nesse projeto setorial e deve votá-lo na CCJ na quarta-feira.

O Ministério da Economia é contra o projeto por questões orçamentárias e, atualmente, a tendência é que, caso seja aprovado, o texto seja vetado. O Congresso, então, poderá trabalhar para derrubar o veto presidencial.

O deputado disse preferir uma solução estrutural, mas que, enquanto não há essa definição, o projeto em tramitação é importante para “dar tranquilidade” aos 17 setores em questão.

“Cada vez mais tenho a convicção de que é prioridade sim para o Ministério da Economia e para o governo encontrarmos uma saída definitiva”, disse o deputado. Ele acrescentou que a reunião não trouxe uma conclusão, mas que foi dado um passo “importantíssimo” para que “logo, logo” se torne pública uma medida que possa ser levada ao Congresso.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é crítico ao encargo sobre a folha de pagamento, ao qual se refere com frequência como uma “arma de destruição em massa” de empregos. A desoneração ampla, no entanto, exigiria uma medida de compensação. A recriação de um imposto nos moldes da CPMF foi defendida por Guedes, mas foi tirada de pauta devido às críticas recebidas pelo governo.

Fonte: Valor Econômico
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