Governo estima alta do seguro-desemprego

Governo estima alta do seguro-desemprego

Publicado em 29 de abril de 2020

Demanda pode ter aumentado em 150 mil pedidos, mas agências fechadas represam solicitações e atrapalham estatística.

Com os efeitos da pandemia da covid-19 no mercado de trabalho, o governo já registra um aumento de 150 mil pedidos de seguro-desemprego no acumulado deste ano até a primeira quinzena de abril, se comparado com o mesmo período de 2019.

Esse número considera a estimativa da equipe econômica de que 200 mil pessoas foram demitidas entre março e a primeira quinzena de abril e não conseguiram solicitar o benefício porque as agências do Sine (Sistema Nacional de Emprego) estão fechadas.

 

Sem a contabilização desse represamento, os dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho ficam defasados, pois mostram uma queda dos pedidos na primeira semana de abril e no mês de março em comparação com o mesmo período de 2019.

Ontem a secretaria divulgou que somente na primeira quinzena de abril foram feitos 267.693 pedidos de seguro-desemprego, o que representa redução de 13,8% na comparação com o mesmo período de 2019 (310.509). No mês de março, o número de requerimentos foi de 536.845, uma queda de 3,5% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado (556.226). Já em fevereiro deste ano, foram 483.145 solicitações.

“Temos demanda reprimida, ainda temos pequena fila”, explicou o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo. “Há, sim, um pequeno aumento dos pedidos do seguro-desemprego em relação a 2019. Mas o aumento não passa de 150 mil pedidos.” Ele ressaltou que “é um momento difícil” e a expectativa é de perda de postos de trabalho nos próximos meses, mesmo com as medidas adotadas pelo governo até o momento para minimizar as demissões.

Dalcolmo destacou, no entanto, que neste momento os pedidos de seguro-desemprego não destoam de outros períodos. “Todos os setores sofreram. A crise é de grande magnitude. Não tem setor descolando de perfil histórico sobre participação”, disse, citando que os setores econômicos mantiveram a participação na quantidade de pedidos. Por exemplo, o setor de serviços representou 39% do total em março, seguido pelo comércio (29,2%).

O secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, ponderou que houve um aumento do desemprego, mas “não houve explosão”. “É sinal de que as políticas públicas estão atingindo seu objetivo. Precisamos continuar monitorando”, complementou Guaranys.

O principal empecilho para a redução da demanda reprimida dos pedidos de seguro foi o fechamento das agências do Sine. Na primeira quinzena de abril, 90% das solicitações foram processadas por meio digital, o que significa alta de mais de 4.000% em relação a 2019. A expectativa, no entanto, é que as agências do Sine retornem às atividades para normalização do quadro dentro de 15 dias.

Dalcolmo relatou ainda que o serviço telefônico 158 está congestionado, mas vai ser fortalecido com treinamento de novas equipes para aumentar capacidade de atendimento.

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, atribui o balanço às medidas de suspensão de contratos de trabalho e redução de jornada e salário, que contam com benefício emergencial de complementação de renda. Segundo ele, mais de 4,25 milhões de empregos foram protegidos com os acordos firmados de redução de jornada e salário ou suspensão de contrato.

Dados divulgados pela secretaria, na primeira quinzena de abril, mostram ainda que São Paulo registrou o maior número de pedidos, com 77.121 solicitações, seguido por Minas Gerais (33.001) e Rio de Janeiro (20.661). No que diz respeito ao dado fechado de março, a situação não mostra muito diferença. O Estado de São Paulo também lidera a lista com 165.632 pedidos, seguido por Minas Gerais (63.317) e Rio de Janeiro (41.728). Em relação ao perfil dos solicitantes, a maioria é do sexo masculino (59,45%), com idades entre 30 e 39 anos (33,95%), ensino médio completo (58,65%) e do setor de serviços (39%).

Fonte: Valor Econômico
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