Greve geral paralisa Argentina contra reforma de Milei

Greve geral paralisa Argentina contra reforma de Milei

Publicado em 20 de fevereiro de 2026

Movimento sindical convoca paralisação de 24 horas em meio a debate decisivo sobre as propostas que considera “regressivas” na Câmara dos Deputados.

O governo de Javier Milei enfrenta nesta quinta-feira (19) a quarta greve geral de sua gestão. A paralisação de 24 horas, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), coincide com o debate decisivo da polêmica reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. O movimento sindical classifica as propostas como “regressivas” em um cenário econômico crítico, marcado pelo fechamento de 21 mil empresas e a perda de 300 mil empregos nos últimos dois anos. O estopim mais recente para o descontentamento foi o fechamento da Fate, maior fabricante de pneus do país, que resultou em 900 demissões nesta quarta-feira.

O impacto do protesto é severo em setores estratégicos da economia argentina. A Aerolíneas Argentinas cancelou 255 voos, afetando 31 mil passageiros, enquanto os trabalhadores portuários paralisaram o terminal de Rosário, um dos maiores polos exportadores agrícolas do mundo. Além do transporte aéreo e logístico, a adesão dos sindicatos de transporte de passageiros trava o deslocamento nos principais centros urbanos, reforçando a contundência da medida de força anunciada pela CGT.

A segurança no entorno do Congresso é uma preocupação central após os confrontos da semana passada, que terminaram em prisões e violência. Embora a central sindical não tenha convocado uma mobilização de massa, diversos grupos políticos marcharão até a Praça do Congresso. Em um comunicado incomum, o Ministério da Segurança estabeleceu uma zona exclusiva para a imprensa e alertou sobre os riscos da cobertura jornalística em meio a possíveis focos de conflito, garantindo que as forças de segurança atuarão diante de qualquer ato de violência.

O projeto de reforma trabalhista propõe mudanças profundas, como a redução de indenizações, a possibilidade de jornadas de 12 horas e a limitação do direito de greve. Para viabilizar a votação na Câmara, o governo retirou do texto um artigo polêmico que previa a redução salarial durante licenças médicas. A gestão Milei sustenta que a flexibilização é necessária para formalizar os mais de 40% de trabalhadores que hoje atuam no mercado informal e para incentivar contratações mediante a redução da carga tributária sobre os empregadores.

Fonte: Correio do Povo
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