30 mar Guerra na Ucrânia amplia a escassez de mão de obra na Rússia
Guerra na Ucrânia amplia a escassez de mão de obra na Rússia
A campanha do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para expandir as forças armadas tem acentuado a escassez de mão de obra no país, já que sua guerra na Ucrânia faz com que centenas de milhares de trabalhadores sejam tirados de outros setores da economia e incorporados ao exército.
Dados do Serviço Federal de Estatísticas indicam um aumento no número de integrantes das forças armadas no ano passado de aproximadamente 400 mil pessoas, em meio a uma taxa de desemprego que está em seu nível histórico mais baixo, na estimativa da Bloomberg Economics, depois que Putin ordenou a convocação de 300 mil reservistas na primeira mobilização parcial do país desde a 2ª Guerra Mundial.
O economista da Bloomberg para a Rússia, Alexander Isakov, avalia que o número total de pessoas no serviço militar ultrapassa meio milhão. Isso porque os dados mascaram novas convocações para preencher lacunas deixadas por tropas dispensadas desde o início da invasão e não contabilizam o recrutamento feito por empresas militares privadas, como o famigerado grupo mercenário Wagner.
Moscou pretende contratar mais 400 mil recrutas neste ano para combater na Ucrânia, uma vez que Putin se prepara para uma guerra longa, de acordo com fontes familiarizadas com seus planos. O presidente aprovou a meta de aumentar o tamanho das forças armadas da Rússia de 1,15 milhão para 1,5 milhão, que pode demorar até 2026 para ser alcançada.
Centenas de milhares de russos em idade de alistamento militar fugiram do país depois que Putin anunciou a mobilização, em setembro, o que reforça um declínio demográfico que indica que a população em idade economicamente ativa pode encolher 6,5% ao longo da próxima década. O Banco da Rússia advertiu em dezembro que “a capacidade de expandir a produção na economia russa é limitada em grande medida pelas condições do mercado de trabalho”.
Em uma reunião de governo ontem, Putin exortou os ministros a se concentrarem em melhorar a produtividade do trabalho, ao advertir que a manufatura na Rússia continua fraca e abaixo do nível do ano passado. Ele disse que a baixa taxa de desemprego “não significa que todos os problemas no mercado de trabalho foram resolvidos”.
“Existem dúvidas sobre a qualidade das oportunidades de emprego”, afirmou Putin. Ele acrescentou que “em algumas regiões e localidades, a taxa de desemprego ainda é muito maior do que a média nacional” e os trabalhadores não são plenamente produtivos nas fábricas onde a produção caiu.
Cerca de um terço dos setores econômicos monitorados pelo serviço de estatísticas mostrou um declínio no emprego no ano passado, mas o recrutamento militar compensou quase todo o impacto negativo no número geral.
Autoridades em Moscou têm mencionado repetidamente os temores de que o aprofundamento da escassez de mão de obra prejudique a economia da Rússia no momento em que empresas e setores procuram ajustar-se às sanções internacionais sem precedentes impostas por causa da guerra.
Isakov contou que, enquanto o desemprego aumentou em média 2,4 pontos percentuais durante as três últimas recessões da Rússia, em 2022 a taxa anual de desemprego atingiu seu nível mais baixo e continua a diminuir.
De acordo com os dados divulgados ontem pelo serviço de estatísticas, o desemprego na Rússia caiu para um novo recorde de baixa de 3,5% em fevereiro, enquanto os salários reais aumentaram em janeiro pelo quarto mês consecutivo, em meio à escassez de pessoal.
Natalia Danina, chefe do departamento de análises da HeadHunter, empresa de recrutamento na Rússia, disse que em fevereiro o aumento mensal do número de vagas superou o de currículos recebidos pela primeira vez em 12 meses. Para ela, os indicadores de oferta de mão de obra podem estar próximos ao nível observado depois da pandemia de covid-19 na Rússia, em 2021, “quando a falta de pessoal estava em seu pico”.
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