‘Hackers do bem’: habilidades necessárias vão além do conhecimento técnico

‘Hackers do bem’: habilidades necessárias vão além do conhecimento técnico

Publicado em 17 de janeiro de 2022

Profissional que atua para identificar brechas de segurança deve ter boa capacidade de comunicação e saber trabalhar em equipe.

Como contratar um hacker do bem? Segundo gestores de plataformas de ensino de novas tecnologias e profissionais do setor, empresas interessadas em recrutar esses especialistas precisam levar em conta outras habilidades além do conhecimento técnico. “Ele deve ter boa capacidade de comunicação e saber trabalhar em equipe”, diz Leandro Mainardi, diretor de educação da Acadi-TI, escola especializada em cursos de cibersegurança que oferece desde 2015 formação em “ethical hackers” (hackers éticos, do inglês).

Na hora de analisar um currículo, um dos principais aspectos a considerar é o histórico de comprometimento do candidato com as organizações onde trabalhou, baseado no tempo de permanência em cada uma delas, ensina. “As empresas devem saber que esses profissionais vão ter acesso a informações estratégicas e confidenciais”, diz.

Quanto ao conhecimento técnico, que pode ser difícil de avaliar em uma entrevista inicial, as certificações na área são um bom indicativo para a classificação dos candidatos. Há, pelo menos, cinco importantes diplomas internacionais no setor, que avaliam a habilidade do profissional com exames práticos, como a Certified Ethical Hacker Practical e a Offensive Security Certified Professional (OSCP). Com esses documentos o empregador poderá focar melhor na avaliação comportamental e se o candidato tem identidade com a cultura da empresa, afirma.

Em 2020, a Acadi-TI capacitou mil profissionais e em 2021 viu um avanço de mais de 150% nas matrículas. Com 98% de alunos do sexo masculino, a ideia em 2022 é lançar bolsas de estudo para mulheres que queiram entrar na carreira.

Na opinião de Ivan Oliveira, arquiteto de segurança da informação em uma multinacional de tecnologia, uma das características mais importantes que um profissional hacker precisa ter é disposição para o aprendizado contínuo. “A área sofre muitas mudanças e é necessário estar atento às tendências”, diz ele, no ramo de tecnologia há 14 anos e especializado em cibersegurança ofensiva.

Graduado em análise e desenvolvimento de sistemas e com um MBA em gestão estratégica empresarial, Oliveira acumula três certificações na área de “ethical hacker” e planeja fazer novos cursos em 2022. “As empresas precisam de garantias que o hacker do bem estará preparado para atuar em momentos críticos, como vimos nos ataques a companhias no ano passado”, diz. Grandes corporações como Atento e JBS enfrentaram ataques cibernéticos em 2021. O especialista recebeu 11 propostas de trabalho em 2020, de pequenas empresas a gigantes de tecnologia, e 25 convites em 2021.

O mercado deve continuar aquecido para esses profissionais nos próximos anos, analisa Raphael Spinelli, diretor regional para a América Latina da Udemy, plataforma de cursos virtuais. Relatório divulgado pela companhia sobre as tendências de aprendizado em 2022 destaca o “ethical hacking” como uma das cinco habilidades da área de segurança cibernética que mais cresceram em consumo de conteúdo no Udemy Business, braço de treinamento corporativo do grupo. Entre 2017 e 2021, o salto foi de 138%.

“Como os funcionários passaram a trabalhar de casa por causa da pandemia, a segurança tornou-se uma das maiores preocupações das empresas, por conta dos [dados] dos computadores corporativos e das informações contidas nos celulares”, diz.

Fonte: Valor Econômico
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