‘Home office’ tem potencial para dobrar no país

‘Home office’ tem potencial para dobrar no país

Publicado em 21 de dezembro de 2023

No levantamento “Resultados sobre trabalho no domicílio”, da FGV, a projeção é que cerca de 23 milhões de funcionários no Brasil têm desejo de trabalhar em casa.

O número de trabalhadores em esquema de “home office”, seja parcial, seja integral, tem potencial para ser quase duas vezes maior do que o atual, acima de 20 milhões. É o que indicou estudo sobre o tema da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado ao Valor e à GloboNews. Ao mesmo tempo, a pesquisa sinalizou que as empresas têm enxergado ganho de produtividade com o modelo. Na análise, a parcela de companhias que admitiu ganho produtivo com esse perfil de trabalho foi maior do que a fatia que informou diminuição de produtividade com o trabalho em casa.

No levantamento “Resultados sobre trabalho no domicílio”, a projeção é que cerca de 23 milhões de funcionários no Brasil têm desejo de trabalhar em casa, de forma parcial ou total. Isso representaria em torno de 35,7% dos 65 milhões de trabalhadores brasileiros que não são empregadores, familiares, auxiliares ou conta própria no país, segundo Rodolpho Tobler, economista da fundação responsável pelo estudo.

Dados oficiais contabilizaram cerca de 9,5 milhões de pessoas que trabalhavam remotamente no país em 2022. Esse número corresponde a 9,8% do total de 96,7 milhões ocupados no mercado de trabalho, e não afastados do emprego, naquele ano – nesse caso, considerando também os empregadores, familiares, auxiliares ou conta própria.

Ou seja: o número potencial de trabalhadores desejosos em trabalhar de “home office” é maior do que os que estão efetivamente trabalhando de casa, concluiu o economista. “Para mim, isso mostra que o ‘home office’ não só veio para ficar, mas tem potencial de crescimento nos próximos anos”, afirmou.

O estudo tem como base uma série de pesquisas sobre o mercado de trabalho. A primeira é o Módulo Teletrabalho e Trabalho por Meio de Plataformas Digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado em outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2022. Esse levantamento foi um mapeamento inédito, com dados oficiais do instituto, a respeito de “home office” no pós-pandemia. Nele, o IBGE apurou quase 10% dos ocupados em alguma forma de teletrabalho em 2022.

“O home office não só veio para ficar, mas tem potencial de crescimento”

Outro levantamento usado foi a Sondagem de Mercado de Trabalho, pesquisa nacional por amostragem da FGV que abrange pessoas com idade ativa, acima de 14 anos. Tobler informou que 1.813 participaram da pesquisa sobre “home office” e que foram usados resultados da pesquisa até o terceiro trimestre deste ano, para elaboração dos resultados.

Ao detalhar a visão do empregado sobre trabalhar em casa, o pesquisador informou que a pesquisa perguntou sobre quantos dias por semana as pessoas preferiram para realizar “home office”. “Apuramos que elas gostariam de algo mais próximo de quatro dias por semana, mas acreditam que os chefes preferem algo mais próximo de três dias”, disse.

Entre os pontos positivos apontados pelos pesquisados, o primeiro mais lembrado foi horários mais flexíveis (citado por 43,6% dos entrevistados), seguido por aumento do bem-estar e qualidade de vida (28,5%) e não perder tempo com deslocamento (15,8%).

A percepção sobre aumento de produtividade não ficou de fora, e foi lembrada por 5,2% dos entrevistados como ponto positivo de se realizar “home office”. Além disso, a pesquisa perguntou diretamente aos entrevistados se eles aumentaram a produtividade. Para 68,6% dos trabalhadores consultados, houve, no entendimento deles, elevação de produtividade com o esquema, contra 52,3% em quesito especial sobre o mesmo assunto em 2022.

A FGV apurou ainda a percepção das empresas em relação ao “home office”. Nessa parte da análise, foram usadas as sondagens empresariais da fundação, também amostrais e igualmente com resultados até setembro deste ano. Os setores englobados pelas sondagens são serviços, comércio, construção civil e indústria de transformação, que representam dois terços do Produto Interno Bruto (PIB), lembrou Tobler. “Foram 3.904 empresas que responderam nessa parte”, detalhou o economista.

Do total de companhias entrevistadas, 31,9% informaram ter algum trabalhador em “home office”. Essa fatia é menor do que a de 32,7% em 2022 e a de 56,6% em 2021, para a mesma pergunta em pesquisas anteriores da FGV sobre o mesmo tema, informou o economista. No entanto, ele ponderou que, antes de 2023, a pandemia era mais impactante. Isso levou a um ritmo maior de empregados em casa, pela necessidade de isolamento para evitar contágio, o que certamente influenciou para cima os percentuais para essa resposta, nas pesquisas da FGV.

O técnico frisou, ainda, os diferentes perfis de empresa na pesquisa. Existem companhias em que é mais difícil implantar o “home office” por causa de suas características específicas – na construção civil, por exemplo.

No entanto, mesmo com diferentes perfis a participar da análise, mais companhias reconheceram ganho de produtividade no modelo do que o contrário, reiterou Tobler. Do total de companhias pesquisadas, 28,5% disseram que o “home office” elevou a produtividade; contra 12,8% que atestaram recuo da produtividade com esse tipo de trabalho.

Fonte: Valor Econômico
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