30 set Idioma e cultura são dificuldades apontadas por empregadores e colaboradores
Idioma e cultura são dificuldades apontadas por empregadores e colaboradores
Inúmeras empresas do Rio Grande do Sul têm encontrado na contratação de migrantes uma saída para a falta de mão de obra disponível no mercado. Um exemplo disso é a Comil, uma das principais montadoras de ônibus do Sul do Brasil. A empresa emprega, atualmente, mais de 600 migrantes.
Os primeiros estrangeiros foram contratados pela empresa em meados de 2022, após o fim da pandemia de Covid-19, através da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra), uma agência parceira da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Segundo Fernanda Parmeggiani, coordenadora de RH da Comil, muitos setores da atividade econômica de Erechim cresceram e, com isso, notou-se uma baixa disponibilidade de profissionais no mercado de trabalho. “Percebemos nos migrantes uma oportunidade de mantermos nossos projetos de desenvolvimento e expansão, além de claro, propiciar às famílias a possibilidade de refazerem suas vidas pessoais e profissionais, um ganha-ganha”, destacou.
Fernanda destaca que contar com uma base de migrantes tão grande tem inúmeras vantagens. “A indústria do ônibus requer muitos profissionais em seu processo produtivo. Logo nos primeiros meses percebemos um aumento expressivo nas taxas de retenção de pessoas, devido aos profissionais migrantes possuírem o objetivo de construírem suas carreiras na indústria e se estabelecerem com suas famílias. Esta retenção de pessoa, também permitiu retenção de conhecimento e habilidades, maior alinhamento, menor custo e maior engajamento. Também é importante considerar a diversidade cultural que amplia conhecimento, gera oportunidades de aprendizados e trocas”, afirmou.
Apesar disso, existem, inevitavelmente, algumas dificuldades como a linguagem e a cultura. Isso, porém, é facilmente contornado com ações implementadas no dia a dia da empresa, como a sensibilização de gestores e a disponibilização de cursos aos migrantes.
Um desses 600 migrantes que trabalham na Comil é o venezuelano Johan Gregorio Rojas Rondon (foto), de 34 anos. Rondon trabalha como instrutor de treinamentos e afirma que veio ao Brasil por indicação de um amigo. “Um amigo me falou de oportunidades de trabalho aqui no Brasil, de melhor qualidade de vida. Então, decidi encarar esse novo desafio em busca dessas melhorias para a minha vida”, contou.
O instrutor de treinamentos compartilha que sua trajetória, até conseguir o emprego na Comil, não foi simples. Segundo ele, a barreira linguística foi um dos principais desafios. “Não entendia bem o idioma, então a busca foi bem desafiadora. Comecei trabalhando como freelancer em uma pizzaria em Porto Alegre”, relembrou.
Rondon chegou até a Comil através da Adra e explica que, desde sua contratação, está “muito satisfeito” na empresa. Segundo ele, ter um emprego estável é uma grande vantagem em relação a suas primeiras experiências como freelancer. “A receptividade tem sido muito boa, é um ambiente que me faz sentir em casa. Para mim, no pessoal, a principal vantagem foi a conquista do meu apartamento próprio”, revela.
Apesar da boa receptividade, Rondon destaca que sente muita saudade de casa. “A principal dificuldade de trabalhar longe é a saudade da minha família. Mas não tem problema, quando tenho um propósito luto para conseguir alcançá-lo”, pondera.
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