Impactos da pandemia no emprego formal é tema de reunião da Copersind

Impactos da pandemia no emprego formal é tema de reunião da Copersind

Publicado em 18 de junho de 2020

Cerca de 50 pessoas participaram nesta quarta-feira (17/6) da reunião on-line do Conselho de Relações Sindicais e do Trabalho da Fecomércio-RS (Copersind). Temas como negociações coletivas de trabalho e os impactos da pandemia no emprego formal foram destaques da reunião do Conselho, que tem coordenação do vice-presidente Ibrahim Mahmud.

Na ocasião, a economista-chefe da Federação, Patrícia Palermo, analisou o cenário do Estado com base nos dados divulgados pela Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (Sefaz-RS). Em relação ao mês de abril do ano passado, o varejo teve uma redução de 17,5%, enquanto a indústria reduziu 16% e o atacado estagnou (neste caso, os alimentos e insumos agropecuários contribuíram para o resultado). Os dados se baseiam nas notas fiscais eletrônicas e consideram o volume das vendas. A economista destacou que tivemos comportamentos distintos em um mesmo grupo, assim como diferenças significativas de acordo com as regiões. No varejo, por exemplo, enquanto o setor de higiene e alimentação teve um crescimento de 5%, os demais produtos decaíram 26%. Assim como a região das Hortências, que foi uma das mais afetadas com a pandemia, pela questão turística.

Porém, o ponto alto da apresentação foi o impacto da pandemia nos empregos formais. “Nunca na história recente tivemos uma destruição tão intensa de postos de trabalho como nos meses de março e abril. Essa destruição não deve parar agora. Ao se esgotar expedientes de redução de jornada e salário, bem como a suspensão de contratos, a baixa atividade associada ao sistema de bandeiras que coloca tetos de operação com base no número de funcionários, deve estimular novas demissões”, esclarece Patrícia.

De março a abril foram extintos quase 90 mil empregos formais no Estado. No total, 20 municípios são responsáveis por 65% dessa perda, sendo a Capital a líder com 16.828 postos de trabalho eliminados, seguida de Caxias, com 5.827, Vacaria, com 5.421 e Novo Hamburgo, com 4.519. No Brasil, neste mesmo período, o número chega a dois milhões.“Tudo o que construímos em dois anos, foi destruído em dois meses”, compara. Os dados mostram que a haverá uma grande dificuldade de recuperação a curto prazo. “As empresas estão preparadas para suportar flutuações de receita, mas não colapsos”.

Apenas no mês de abril, no Rio Grande do Sul, a indústria perdeu 25 mil empregos e o comércio 19.747. Com base nesse panorama, o grupo discutiu alternativas e focou na questão do piso regional. “Com a inflação em queda, não reajustar o piso regional seria um mecanismo de não impactar ainda mais o caixa das empresas e preservar os empregos”, acredita a economista. Sendo politicamente inviável o não reajuste do piso, discutiu-se a possibilidade do novo piso valer apenas somente após a sanção, isto é, sem validade retroativa.

O grupo ainda destacou todo o trabalho que vem sendo feito pela Federação, pelos sindicatos e pelo Copersind em prol do setor terciário. Para finalizar, o advogado Flávio Obino falou sobre a Medida Provisória 936 (que institui o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e trata sobre medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública) e mencionou os 460 mil contratos que foram suspensos ou tiveram redução de jornada e salário. “Temos um novo mundo”, finalizou.

Fonte: Agência Fecomércio
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