Indicador antecedente mostra piora no emprego

Indicador antecedente mostra piora no emprego

Publicado em 7 de dezembro de 2021

Resultado foi influenciado por piora nas avaliações sobre a economia por parte do empresariado, tanto para o presente quanto para o futuro.

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 4,1 pontos em novembro ante outubro. A queda foi a mais intensa desde março desse ano (-5,8 pontos) e levou o indicador ao menor patamar desde abril de 2021 (78,7 pontos).

O resultado foi influenciado por piora nas avaliações sobre a economia por parte do empresariado, tanto para o presente quanto para o futuro, segundo o economista Rodolpho Tobler, responsável pelo indicador.

Para ele, uma retomada do mercado de trabalho mais forte está atrelada a uma recuperação mais ágil da economia brasileira – que não ocorre no momento, de acordo com ele. Na prática, pontuou o economista, o empresário não abre vaga quando há incertezas no front econômico, o que parece ser o caso, no entendimento do especialista.

Tobler explicou que o IAEmp de novembro leva em conta muito pouco do impacto negativo, na economia e no humor do empresariado pela chegada da variante da covid-19 chamada ômicron, com sinais de ser mais transmissível, segundo alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS). O que derrubou mesmo o indicador no mês, de acordo com o técnico, foi a percepção ruim da atividade econômica no momento presente, por parte do empresariado.

E essa percepção negativa parece abarcar também as projeções dos empresários quanto ao futuro, acrescentou ele. Ele comentou o ambiente atual, de juros e inflação alta, o que não estimula compras e, por consequência, não favorece demanda interna aquecida.

Ao mesmo tempo, lembrou Tobler, muitas capitais já cancelaram festas de Réveillon, devido à nova variante de covid-19, o que é má notícia para economia de serviços, lembrou o especialista. Esse setor representa mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

“Isso tudo vai minando o humor do empresário” resumiu ele.

Os empresários não são os únicos cautelosos com a trajetória da economia, acrescentou Tobler. Ele lembrou que o mercado tem revisado, para baixo, as projeções do PIB para o ano que vem. Na prática, tanto o mercado quanto os empresários estão enxergando dificuldades para a economia reagir, no próximo ano, segundo ele.

“Temos um cenário macroeconômico muito frágil ainda. Isso contamina [humor] do empresário” disse ele, comentando que nenhum empresário contrata mais se acha que a economia vai piorar, futuramente. “Para abrir vaga, o empresário precisa ter algum cenário favorável nos próximos meses” afirmou o especialista, reconhecendo que não é isso que ocorre neste momento.

A cautela do empresariado em abrir novas vagas parece ter sido disseminada, no mês passado. De outubro para novembro, os sete componentes do IAEmp contribuíram negativamente para a queda do indicador. Os destaques negativos foram os indicadores de emprego previsto e de situação atual dos negócios da indústria, que recuaram 8,1 e 7,2 pontos, no período. Também houve queda no indicador de situação atual dos negócios de Serviços, que caiu 7,6 pontos, em novembro ante outubro.

Fonte: Valor Econômico
No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.