Indústria perdeu mais de 100 mil trabalhadores no Estado em uma década, segundo IBGE

Indústria perdeu mais de 100 mil trabalhadores no Estado em uma década, segundo IBGE

Publicado em 25 de julho de 2022

Apesar dos desafios, CIC de Caxias do Sul acredita que economia local está tendo boa recuperação.

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Rio Grande do Sul perdeu indústrias e empregos no setor nos últimos anos. Dados informam que, entre 2011 e 2020, mais de cem mil pessoas deixaram de trabalhar na atividade. Em Caxias do Sul, para manter o funcionamento, indústrias precisaram mudar de estratégia para se adequar aos custos, principalmente com a crise econômica global.

A pesquisa do IBGE, divulgada na quinta-feira (21), mostra que, há dois anos, cerca de 621 mil pessoas trabalhavam na área. Em 2011, este número era de 730 mil. O número de fábricas instaladas no Rio Grande do Sul também caiu: 11% em uma década. Neste período, o Estado perdeu a terceira posição no ranking nacional de pessoas ocupadas na indústrias e passou para o quinto lugar em 2020.

Ainda segundo os dados, tanto o número menor de indústrias quanto de trabalhadores no setor é reflexo da crise econômica global. No caso das metalúrgicas no RS, a redução nos postos de trabalho em 10 anos chegou a 40%, ou seja, 5,6 mil empregos deixaram de existir.

Uma dessas é a metalúrgica onde Getúlio da Silva Fonseca é diretor. Ele conta que foi necessário reduzir em mais de 20% a mão de obra para conseguir enfrentar a crise.

— O aço chegou a aumentar 140, 150%, mesmo importado ele ainda tem um valor muito alto e isso é uma coisa que a gente compensa e não leva isso para o nosso cliente. Todas essas diferenças de aumento tivemos que ganhar em produtividade. Nós aqui tivemos que investir em pessoas capacitadas para poder compensar o custo. Inclusive, aumentamos a produtividade homem-hora, ou riqueza gerada pelo trabalhador. Ou faz isso ou fecha — analisa.

Para a gerente de análises e pesquisas do IBGE, Synthia Santana, a redução na indústria gaúcha é relativa à carne (abate) e também no segmento de couro e de calçados.

— De certa forma, alguns setores se beneficiaram dos preços internacionais mais favoráveis por causa do câmbio, mas outros acabaram tendo a demanda reduzida drasticamente, portanto acabou enfrentando uma crise um pouco mais intensa — explica Synthia.

CIC Caxias vê um cenário de recuperação

Apesar da crise, a Câmara de Indústria e Comércio (CIC) de Caxias vê um cenário positivo e de recuperação do setor. De acordo com o vice-presidente da entidade, Ruben Bisi, a melhora na agricultura da região contribuiu para a retomada, principalmente, de empresas ligadas na produção de equipamentos para o agro e do transporte de carga.

— Também na questão de transporte público, tem muitas empresas ligadas ao transporte público, transporte de passageiros e que no último ano está começando a se recuperar. Então, nós somos o segundo polo automotivo do país, o segundo polo metal mecânico e também de processamento plástico e nós estamos vendo sim a economia como um todo neste nosso ramo se recuperando bem. Na época da pandemia, nós tivemos os móveis, a região moveleira que também é bastante forte, que não caiu tanto e agora começa a melhorar também por uma questão de construção civil que está demandando bastante também — complementa Bisi.

Fonte: Gaúcha GZH
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