Indústria puxa emprego, aponta indicador da FGV

Indústria puxa emprego, aponta indicador da FGV

Publicado em 5 de abril de 2024

Queda do juro ajuda cenário a ficar mais claro para o setor industrial, diz economista.

 A indústria foi o setor que mais puxou para cima o resultado do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) de março, que chegou a 79,5 pontos, 1 ponto acima de fevereiro e o maior patamar desde os 79,8 pontos de outubro de 2022. A abertura dos dados mostra que os três componentes ligados ao setor industrial ficaram positivos dentro do IAEmp em março: A situação atual dos negócios na indústria subiu 0,1 ponto; o emprego previsto no setor subiu 0,6 ponto; e a tendência dos negócios cresceu 0,2 ponto.

Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e responsável pelo indicador, ressalta que a indústria vem puxando o IAEmp este ano, depois de um 2023 “mais desafiador” para o setor.

“O cenário macro fica mais claro e, para a indústria, a queda de juros tem impacto. A atividade reage à queda dos juros. É um conjunto de fatores que faz o empresário industrial estar mais animado”, diz Tobler.

Entre os componentes derivados da Sondagem de Serviços, o emprego previsto caiu 0,4 ponto e a situação atual dos negócios recuou 0,2 ponto, enquanto a tendência dos negócios subiu 0,7 ponto. Único componente da Sondagem do Consumidor no IAEmp, o emprego local futuro não variou entre fevereiro e março.

Tobler ressalta que foi a quarta alta seguida do IAEmp e o quinto mês seguido sem resultados negativos – houve estabilidade em novembro -, período em que o indicador acumula avanço de 4,5 pontos. O economista aponta a reação da atividade econômica nos últimos meses como um motor para esse comportamento do emprego. “O resultado mostra certa consistência do mercado. A gente vê algum resultado positivo no presente, que impulsiona as expectativas”, diz.

Mas ele ainda enxerga alguns potenciais riscos para a geração de emprego, notadamente a incerteza a respeito da continuidade da queda das taxas de juros devido à “incerteza fiscal”.

“O principal risco para os empresários é a taxa de juros não cair tanto ou por tanto tempo. O risco está na magnitude e na duração da queda”, pondera.

Sobre o comportamento do IAEmp para os próximos meses, Tobler não espera “saltos” ou “melhoras impactantes”. “O resultado deve ser gradual, como temos visto. Não esperamos que em 2024 o emprego deslanche e sua muito. A tendência é positiva, mas gradual”, afirma.

Fonte: Valor Econômico
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