28 abr Inteligência artificial pode virar desemprego ou oportunidade, depende dos humanos
Inteligência artificial pode virar desemprego ou oportunidade, depende dos humanos
“Acho que seremos substituídos por uma pessoa que sabe operar bem essas tecnologias do que 100% substituídos por essas tecnologias”, diz Amanda Graciano, sócia da Fisher Venture Builder, que participou da Live do Valor + Valor Social, nesta quinta (27).
Se o ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial (IA) que ainda estão por vir servirão para o bem da humanidade — e para gerar mais empregos —, ou se cederão ao lado sombrio da força e vão dizimar o mercado de trabalho mundial, isso tudo provavelmente ainda dependerá das escolhas a serem feitas por pessoas de carne e osso.
“Eu acho muito mais que seremos substituídos por uma pessoa que sabe operar bem essas tecnologias do que 100% substituídos por essas tecnologias”, diz Amanda Graciano, sócia e líder de inovação corporativa da Fisher Venture Builder, que participou da Live do Valor + Valor Social, área de responsabilidade social da Globo, sobre a influência da tecnologia na educação atual e futura, nesta quinta-feira (27).
Amanda acredita que a questão não é só mais se um tipo de emprego vai deixar de existir. “Se tem algo que fazemos todos os dias igual, a máquina certamente vai poder fazer, e todos os trabalhos têm essa parte repetitiva”, disse durante a conversa que fez parte da semana em comemoração ao Dia da Educação, nesta sexta-feira, 28.
“Estamos falando de você saber dar um comando para uma máquina, escrever para a inteligência artificial, para ela te dar as melhores respostas para o seu trabalho”, explica.
O desenvolvimento dessas capacidades, no entanto, pode esbarrar em velhos inimigos brasileiros. “Vamos ter que começar a falar de privilégio tecnológico, porque quem tem mais acesso à tecnologia vão ser as pessoas que, lá na frente, iremos perceber como mais preparadas, mas provavelmente um grande diferencial será quem tem mais acesso às coisas, [entre] a tecnologia digital e a que não é digital”, diz Amanda.
“Não é a máquina, é quem chega primeiro e quem aprende antes. A gente vai ter essa percepção de que eles foram mais privilegiados e privilegiadas”, prevê.
Amanda Graciano, sócia e líder de inovação corporativa da Fisher Venture Builder e Helena Casanovas, cofundadora da Alianca Empreendedora e do Tamo Junto participam de Live do Valor, mediada por Felipe Frisch, nesta quinta-feira (27) — Foto: Leo Pinheiro/Valor
A cofundadora da Aliança Empreendedora e do Tamo Junto, que também participou da live, Helena Casanovas, no entanto, vê nessa revolução tecnológica justamente uma grande oportunidade de incluir pessoas.
“É um novo ciclo, está todo mundo aprendendo. Quando você chega num momento em que todo mundo tem que aprender de novo, é uma chance de incluir mais gente nesse processo.”
Para que isso aconteça, o principal papel das escolas é não “lutar contra a tecnologia”, diz Helena. “Quando começou o Google, tinha professores que proibiam usar a busca para fazer trabalho. Os professores precisam cuidar do letramento digital deles.”
E esse processo de aprendizado da tecnologia nunca acaba, diz, usando como referência uma palestra que ela ouviu no megaevento de tecnologia e inovação SXSW, em Austin, Texas, do qual ela e Amanda participaram em março.
Um ganho que o uso da IA pode trazer é de tempo, até para ganhar dinheiro. “Ninguém fica rico trabalhando como a gente trabalha hoje. Um empreendedor gasta muito tempo cuidando de processos operacionais. O ser humano gosta é de ser criativo”, diz Helena.
“Você que dormia no escritório e agora consegue usar IA para fazer em três horas aquela apresentação que demorava o dia todo, o que você faz com esse tempo que sobra? Eu não acho que é trabalhar mais. Eu acho que é viver, porque nós somos outras coisas”, conclui Amanda.
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