Jornada de trabalho menor coloca em risco 43 mil empregos no RS, prevê entidade do varejo

Jornada de trabalho menor coloca em risco 43 mil empregos no RS, prevê entidade do varejo

Publicado em 15 de abril de 2026

O estudo também estima um recuo de R$ 30 bilhões no PIB gaúcho.

A redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas comprometeria 43 mil empregos no Rio Grande do Sul, sendo 5,3 mil em Porto Alegre. A projeção faz parte de um estudo da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), antecipado à coluna. A entidade cruzou o número de trabalhadores com jornada superior e o que ocorreu em Portugal, quando o país reduziu as horas em 1996.

— O estudo de caso de Portugal mostrou que, quando o custo de cada hora de trabalho subiu, as empresas reagiram contratando menos, pois pagariam o mesmo salário por menos horas. Não foi considerada a migração para informalidade — explica o economista Marcelo Ayub.

A CDL também estima recuo de 4,2% no PIB gaúcho, ou seja, R$ 30 bilhões a menos. O indicador econômico é o resultado de quantas horas as pessoas trabalham vezes o quanto cada hora produz.

— Cortamos as horas que excedem o novo teto e mantivemos a produtividade atual de cada setor, estimadas com dados do IBGE.

Para evitar o impacto, a produtividade por hora do trabalhador precisaria subir 4,4% no Rio Grande do Sul. Desde 1990, ela cresce no país em média 1,1% ao ano.

Por fim, uma ponderação do presidente da CDL, Carlos Klein, é de que diminuirá a comissão dos trabalhadores, forma comum de remunerar vendedores no varejo. Isso se refletiria em redução de consumo.

Contraponto

Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o presidente da Federação dos Empregados no Comércio do Rio Grande do Sul (Fecosul), Guiomar Vidor, rebateu a argumentação de que fechará empregos. Reconhece que não há espaço para reduzir jornada a 36 horas, mas defende que é possível sim diminuir para 40 horas.

 — Nós tivemos avanços tecnológicos das empresas suficientes para reduzir a jornada em 10%. O custo aumentará em menos de 2%.

Ainda a pesquisa

O estudo da CDL traz ainda algumas projeções nacionais, como um aumento de 9,9% no custo médio da hora trabalhada, com impacto maior no comércio atacadista, seguido por indústria e varejo geral.

inflação pelo IPCA aumentaria em 4,6 pontos com repasse integral do custo, especialmente refeição fora de casa (+11,6%), aluguel (+11,3%), plano de saúde (+10,1%) e gasolina (+7,9%).

Os números são maiores no Rio Grande do Sul porque tem mais mão de obra com carteira assinada, pontua o economista-chefe da CDL, Oscar Frank.

Perspectiva

Nos bastidores, é forte a percepção de que o projeto não avançará. Em regime de urgência, não há espaço para o debate entre os setores, que o líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT), diz que o governo federal quer fazer e que, na verdade, deveria ter sido feito antes do envio do texto. A coluna também questionou Pimenta sobre a fala do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, em visita a Porto Alegre de que ajuizaria contra a limitação a 40 horas porque a Constituição prevê 44 horas e um projeto de lei não poderia alterar isso. Ele responde que, por isso, há em paralelo uma PEC (proposta de emenda à Constituição), que também não deve tramitar rapidamente.

Além da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, a proposta do governo federal prevê o fim da escala 6×1. O texto foi encaminhado em regime de urgência ao Congresso. Saiba mais: Fim da 6×1: proposta da escala 5×2 não obriga que folgas sejam em dias seguidos.

Fonte: Giane Guerra
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