27 jan Josué recorre a Skaf para conter motim na Fiesp e se mantém na presidência
Josué recorre a Skaf para conter motim na Fiesp e se mantém na presidência
O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, articulou com seu antecessor no cargo, o empresário e político Paulo Skaf (Republicanos), um acordo para encerrar o movimento de um grupo de oposição formado por diretores de sindicatos da entidade, que votou pela sua destituição do comando da federação durante assembleia realizada no dia 16 de janeiro.
Em nota pública conjunta assinada por Josué e Skaf, elaborada nessa quinta-feira (26) e antecipada pelo Valor, ambos afirmam que cabe à Fiesp “dar o exemplo de superação de divergências”. O documento reconhece o papel das empresas de menor porte que integram a federação. “É fundamental que o reconhecimento àqueles setores formados por empresas pequenas e médias, fundamentais empregadoras seja contínuo e representativo”.
O comunicado ainda acena para uma “gestão mais ampla e abrangente”, menciona uma “participação de todos os sindicatos filiados, por meio de suas lideranças” e conclama aos integrantes da Fiesp que “abandonem eventuais diferenças e se unam a nós nesta jornada”.
A disputa pelo comando da Fiesp começou em meados de outubro de 2022 e se converteu em uma crise que atingiu seu ápice na sexta-feira (20). Na ocasião, o conselheiro mais velho da entidade, Miguel Elias Haddad, de 95 anos, divulgou uma circular informando a todos na Fiesp que havia tomado posse como presidente interino. O ato foi um movimento deliberado dos adversários de Josué, que sinalizaram com clareza que fariam cumprir o resultado da assembleia de 16 de janeiro.
Josué então divulgou uma nota rechaçando a medida e recebeu solidariedade de parte dos conselhos superiores da entidade, como o jurídico e o de economia criativa. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou nota apoiando Josué.
O presidente da Fiesp passou a buscar pontes com seus adversários e convocou uma reunião para o dia 23, sob o pretexto de discutir o futuro da governança da entidade. Apenas 33 representantes de sindicatos patronais compareceram, sendo a maioria do grupo de apoio a Josué. Atualmente, cerca de 110 sindicatos integram a Fiesp. Um dos pontos abordados foi uma maior participação de sindicatos na estrutura de administração da Fiesp, como conselhos e departamentos.
Nesse mesmo encontro houve a sugestão de que Josué procurasse Skaf. Após conversar com auxiliares próximos, Josué decidiu aceitar o conselho e buscou Skaf na tentativa de angariar maior apoio entre seus opositores. O ex-presidente aceitou intermediar um armistício. Josué e Skaf então reuniram-se, juntamente com o empresário Dan Iochspe, no escritório do jurista Ives Gandra Martins, em São Paulo. Josué ouviu queixas e comprometeu-se com algumas das demandas dos adversários, pondo fim à rebelião.
A crise na Fiesp começou com a insatisfação de presidentes de sindicatos, que passaram a reclamar de uma suposta dificuldade de acesso a Josué. A pouca disponibilidade do empresário, que acumula a presidência com a gestão dos negócios de seu grupo têxtil Coteminas, era apontada como um entrave da gestão. Os adversários também o acusavam de manter um estilo centralizador de comando.
A insatisfação teria aumentado com a divulgação da carta da Fiesp em defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito, em agosto de 2022.
Nos bastidores, Skaf é apontado como peça central da articulação pela saída de Josué. Ele tem negado que tenha estimulado um levante. A interlocutores, disse recentemente que participou de diversas reuniões, no ano passado, porque era procurado por representantes de sindicatos que o responsabilizavam pela gestão de Josué. Skaf foi o fiador da candidatura do empresário. Josué disputou a eleição em chapa única, sem adversário, foi eleito em julho de 2021 e tomou posse em 2022.
Lei a íntegra da nota conjunta:
“São Paulo, 26 de Janeiro de 2023
Nas últimas semanas a Fiesp passou por momentos de discussões, internas e públicas, que representaram um dos grandes desafios na história de mais de 90 anos de nossa entidade. Diante disto, estivemos juntos refletindo sobre nossa Federação, a situação da Indústria e sua inserção no quadro de intensas transformações não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Concluímos que cabe a nós dar o exemplo de superação de divergências.
Assim, decidimos usar toda a nossa energia, capacidade de liderança e de articulação para fortalecer a nossa entidade e impulsionar, a partir dela, o processo de reindustrialização do nosso País, fundamental para o avanço socioeconômico e a realização das mais nobres aspirações de nossa população.
Isso passa por uma gestão mais ampla e abrangente da Fiesp. Acreditamos que a participação de todos os sindicatos filiados, por meio de suas lideranças, seja fundamental para o bom funcionamento da entidade. Também é fundamental que o reconhecimento àqueles setores formados por empresas pequenas e medias, fundamentais empregadoras, seja contínuo e representativo.
Trabalharemos juntos visando a contínua melhoria do funcionamento da nossa entidade e buscando atingir nosso propósito de impulsionar o desenvolvimento sustentável da nossa Indústria e do nosso País.
Conclamamos a todos que abandonem eventuais diferenças e se unam a nós nesta jornada, com a certeza de que estamos fazendo o melhor pela Fiesp e pelo Brasil.”
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