Judiciário homologou 3,9 milhões de acordos em 2019, diz relatório do CNJ

Judiciário homologou 3,9 milhões de acordos em 2019, diz relatório do CNJ

Publicado em 27 de agosto de 2020

O Judiciário brasileiro homologou 3,9 milhões de acordos em 2019, o que representa 12,5% de todas as sentenças proferidas no ano passado. O volume é 6,3% maior do que o registrado em 2018. Os dados são do relatório Justiça em Números 2020, do Conselho Nacional de Justiça, publicado nesta terça-feira (25/8).

Na fase de conhecimento, relativa ao primeiro grau da Justiça comum, 19,6% dos processos foram conciliados. Na fase de execução, a porcentagem é menor, de apenas 6,1%.

A Justiça Trabalhista foi a que mais conciliou: 24% do total de casos foi solucionado por meio de acordo, taxa que aumenta para 39% quando é levada em consideração apenas a fase de conhecimento.

O Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região foi o que apresentou a maior índice conciliatório: acordos homologados representam 31% do total de sentenças. Na fase de conhecimento, o maior percentual foi verificado no TRT-19, com 46% das decisões tomadas via conciliação.

“No 1ª grau, a conciliação foi de 14,3%. No 2º grau, a conciliação é praticamente inexistente, apresentando índices muito baixos em todos os segmentos da Justiça. As sentenças homologatórias de acordo representaram em 2019, apenas 1,3% do total de processos julgados. O tribunal com maior índice de acordos no 2º grau é o TRT-11, com 9,8%”, afirma o estudo.

Embora, segundo o CNJ, o número de acordos tenha aumentado, a porcentagem com relação ao número total de decisões proferidas apresenta uma tendência de queda nos últimos quatro anos.

Em 2016, por exemplo, 13,6% das decisões proferidas pelo Judiciário se deram por meio da conciliação. Em 2017, esse porcentagem caiu para 13,5%. Em 2018, foi de 12,7%.

“Em 2019, apenas 12,5% de processos foram solucionados via conciliação. Em relação a 2018, houve aumento de apenas 6,3% no número de sentenças homologatórias de acordos, em que pese a disposição do novo Código de Processo Civil (CPC), que, em vigor desde 2016, tornou obrigatória a realização de audiência prévia de conciliação e mediação”, afirma o presidente do CNJ e do STF, ministro Dias Toffoli, na introdução do relatório.

Prática impulsionada
O acordo é adotado pelo Conselho desde 2006, com a implementação do Movimento pela Conciliação. Para impulsionar a prática, o CNJ organiza anualmente as Semanas Nacionais de Conciliação, em que os tribunais são incentivados a juntar as partes e promover pactos nas fases pré-processual e processual.

A tentativa de incentivar os acordos também pode ser vista na ampliação dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos (Cejusc). Em 2014, por exemplo, havia 362 Centros. Em 2019, o número saltou para 1.284, segundo dados do relatório.

O levantamento compilou informações de 90 tribunais brasileiros da Justiça estadual, federal, do trabalho, eleitoral e militar. Apenas o Supremo Tribunal Federal, que não se submete ao CNJ, foi deixado de fora. O estudo é feito desde 2005, mas mudou de metodologia em 2009. Em 2019 a série histórica completou 11 anos.

 

Fonte: Consultor Jurídico
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