Juro do consignado CLT para trabalhadores do comércio supera cheque especial

Juro do consignado CLT para trabalhadores do comércio supera cheque especial

Publicado em 10 de abril de 2026

Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre encontrou taxas absurdas acima de 18% ao mês.

Ainda que tenha garantia de desconto na folha de pagamento e da multa rescisória na demissão, o consignado CLT tomado por trabalhadores do varejo de Porto Alegre está com juro mais alto do que o limite do cheque especial, crédito usado quando a pessoa gasta tudo que tem na conta do banco. A taxa que mais apareceu na pesquisa do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas POA) foi de 8,63% ao mês. O teto, por lei, do cheque especial é de 8%. Não tem justificativa para isso.

A taxa mais alta encontrada na pesquisa da entidade, que ainda está em andamento, foi de 18,53%. É altíssima, mas a coluna já recebeu relato de empresa com juro mensal cobrado de funcionário acima de 30%.

Dos lojistas ouvidos, 56,3% disseram que têm empregados com consignado CLT. Quase metade deles tem três ou mais empréstimos. Um caso relatou nove créditos. A coluna já soube de trabalhadores com 10 consignados. O valor médio tomado pelas pessoas é de R$ 2.230.

Mais de 65% dos lojistas não chegam a oferecer alguma orientação financeira. Oito em cada 10 dizem que está piorando o endividamento e que o conhecimento é baixo sobre como funciona.

Em recente visita à coluna, o presidente do Sindilojas, Arcione Piva, reforçou o coro de empresários preocupados com o assunto, o que provocou esta pesquisa que ainda está em consolidação dos dados. A entidade da Capital também pediu para a Federação do Comércio de Bens e Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) a enviar um comunicado pedindo providências ao Ministério do Trabalho.

Fonte: Giane Guerra
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