Justiça anula acordo que “nunca existiu” entre empresa do RS e trabalhador haitiano

Justiça anula acordo que “nunca existiu” entre empresa do RS e trabalhador haitiano

Publicado em 6 de julho de 2026

O profissional não falava português quando assinou o documento nem conhecia os advogados.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve anulação de acordo entre a Traçado Construções e Serviços, de Cachoeirinha, e um trabalhador haitiano. O entendimento é de ele não compreendia português e foi induzido a assinar a procuração usada para propor ação simulada e celebrar acordo que nunca existiu.

O haitiano soube do acordo quando foi ajuizar ações de diferença salarial e danos por acidente de trabalho. A construtora alegou que, por meio do acerto, o servente teria dado quitação total do contrato de trabalho. 

O trabalhador disse que, quando foi assinar a rescisão do contrato, levou uma pessoa para ler, mas o patrão disse que “não precisava ninguém para traduzir, era só assinar”. Acrescentou que não recebeu pagamento algum. Afirmou ainda que não conhecia os advogados do acordo. Um deles reconheceu à Justiça que não consultou o servente e o outro que não participou da negociação.

Ao longo da defesa, a empresa argumentou que o ex-funcionário assinou a procuração, o que validaria o acordo. Mas, para o ministro Amaury Rodrigues, relator do recurso, há fartos indícios de fraude que induziram o trabalhador a assiná-lo.

Fonte: Giane Guerra.
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