03 dez Luiz Gastão propõe redução gradativa da jornada de trabalho para 40 horas semanais
Luiz Gastão propõe redução gradativa da jornada de trabalho para 40 horas semanais
Após meses de debates em audiências públicas por todo o país, o relator da Subcomissão Especial da Escala de Trabalho 6×1, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), apresentou seu relatório final com uma proposta concreta para alterar a legislação trabalhista. O texto, que deve seguir para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJC) e depois para uma comissão especial, sugere uma redução gradual da jornada semanal, sem corte salarial, nos moldes de uma antiga tentativa de acordo do então presidente da Câmara, Michel Temer.
A proposta central é modificar o artigo 7º da Constituição Federal para estabelecer o limite máximo de 40 horas semanais, em vez das atuais 44 horas. No entanto, a transição seria feita de forma escalonada ao longo de três anos, buscando um equilíbrio entre a demanda histórica dos trabalhadores por mais tempo livre e as preocupações do setor empresarial com os impactos econômicos.
Redução em etapas
Conforme o anteprojeto de lei ordinária anexo ao relatório, a implementação ocorreria da seguinte forma:
- No primeiro ano após a publicação da lei, a jornada máxima semanal passaria de 44 para 42 horas.
- No segundo ano, cairia para 41 horas.
- A partir do terceiro ano, vigoraria o limite de 40 horas semanais.
Durante todo o processo, fica expressamente proibida qualquer redução nominal ou proporcional do salário.
Medidas de apoio e controles para a escala 6×1
Reconhecendo os custos adicionais para as empresas, especialmente as de menor porte, o relatório propõe um mecanismo de estímulo tributário. Empresas cuja folha de salários represente uma parcela significativa do faturamento poderão ter descontos graduais de até 50% nas alíquotas de contribuições previdenciárias, compartilhando parte do ônus da transição com o Estado.
Para as atividades que necessitem manter a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso), o texto estabelece regras mais rígidas. A jornada aos sábados e domingos ficaria limitada a 6 horas diárias, com horas extras pagas com acréscimo de 100%. Além disso, seria obrigatória uma escala de revezamento quinzenal para trabalho aos domingos, impedindo que um mesmo funcionário trabalhe em domingos consecutivos.
Consenso após amplo debate
O relatório do deputado Luiz Gastão é resultado de quatro audiências públicas realizadas em São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e na Câmara dos Deputados, que ouviram sindicatos, centrais de trabalhadores, confederações empresariais, acadêmicos e representantes do governo.
O documento sintetiza os argumentos de ambos os lados: de um lado, a defesa da redução como imperativo de saúde pública, geração de empregos e melhoria da qualidade de vida; de outro, os alertas sobre aumento de custos, perda de competitividade e riscos para a continuidade de serviços essenciais.
A proposta busca um caminho intermediário, ao adotar a redução progressiva preconizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e ao criar instrumentos de mitigação econômica. A expectativa é que, com a criação da comissão especial, Luiz Gastão permaneça como relator e o texto avance no Congresso, reacendendo uma das discussões trabalhistas mais antigas e emblemáticas do país.
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