15 dez Luiz Marinho assina pacto com entidades gaúchas para assegurar trabalho decente no processo de terceirização
Luiz Marinho assina pacto com entidades gaúchas para assegurar trabalho decente no processo de terceirização
Acordo com representações de empregadores, trabalhadores e entidades públicas e privadas busca aprimorar gestão para prevenir irregularidades.
Com objetivo de propor iniciativas legislativas e normas regulamentares, que proporcionem transparência e segurança jurídica nas práticas concorrenciais no ambiente da terceirização, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e entidades patronais e de trabalhadores do setor assinaram nesta quinta-feira (14), em Porto Alegre, um Pacto pelas Boas Práticas Trabalhistas e de Enfrentamento à Concorrência Desleal no Ambiente do Trabalho Terceirizado no Rio Grande do Sul.
Pelo acordo, representações de empregadores e de trabalhadores, além de entidades públicas e privadas, pretendem propor normas regulamentares para tornar mais eficaz a gestão e a fiscalização dos contratos de terceirização, com regras e diretrizes objetivas que evitem a ocorrência de fraudes e irregularidades, com critérios que elevem a responsabilidade dos gestores de contratos. Todo o processo terá acompanhamento do Tribunal Regional do Trabalho (TRT4), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul (MPC/RS).
Segundo Luiz Marinho, é preciso estabelecer um marco legal que garanta a segurança jurídica aos contratantes e trabalhadores. “A reforma trabalhista fragilizou a terceirização. As regras criadas, respaldadas pelo Supremo, do jeito que está, vai levar a uma degradação. Espero que a Mesa possa produzir soluções saudáveis, propondo medidas para proteger o trabalho, garantindo direitos”, avaliou.
Para o ministro, o Pacto se deve a acelerada ampliação da abrangência setorial da terceirização, sem critérios que assegurem a exequibilidade dos contratos e a observância dos dispositivos legais e instrumentos coletivos. “Isso resulta em um impacto negativo nas relações de trabalho e no ambiente concorrencial, impactando, assim, não apenas a esfera econômica, como também na esfera social”, frisou.
O ministro ressaltou ainda que a prática da contratação de empresas terceirizadas pelo critério do “menor preço”, sem maiores e indispensáveis cuidados, e a demonstração de efetiva exequibilidade das propostas, acabam por oportunizar a contratação de empresas inidôneas ou sem capacidade econômico-financeira, que descumprem obrigações trabalhistas essenciais.
O superintendente do Trabalho e Emprego no RS, Claudir Nespolo, ressaltou o intenso trabalho de mobilização e informação realizado pelas entidades, com esclarecimentos sobre a forma correta de contratação e compromisso de vigilância do trabalho safrista. “O objetivo foi verificar se tudo está de acordo para entrar bem na safra, que envolve de 20 a 40 mil trabalhadores na região”.
As instituições e representações que assinam o Pacto consideram imprescindível o compromisso de todas as esferas de poderes para viabilizar iniciativas que eliminem quaisquer fatores que possam corroborar ao ambiente de precarização das relações de trabalho e práticas desleais de concorrência, privilegiando a transparência e a segurança jurídica nos processos de contratação.
A partir da assinatura do Pacto, o MTE criará uma Câmara Setorial Temática, coordenada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no RS, para discutir propostas que assegurem um ambiente de trabalho legal, seguro e saudável nas atividades terceirizadas e combater o “dumping social”, constituindo um Plano de Trabalho Anual para acompanhamento do andamento e a implementação das soluções que evite a concorrência desleal e precarização de direitos dos trabalhadores.
Assinam o acordo a Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e em Geral, Ambiental, Áreas Verdes, Zeladoria e Serviços Terceirizados do Estado do Rio Grande do Sul (FEEAC/RS); o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do RS (SINDASSEIO); o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas do Estado do Rio Grande do Sul (SINTTEL-RS); o Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços e Instaladoras de Sistemas e Redes de TV por Assinatura, Cabo, MMDS, DTH e Telecomunicações (SINSTAL); a Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e Informática (FENINFRA); o Sindicato dos Assalariados Ativos, Aposentados e Pensionistas nas Empresas Geradoras, ou Transmissoras, ou Distribuidoras, ou Afins, de Energia Elétrica no Estado do Rio Grande do Sul (SENERGISUL); o SINDIVIGILANTES do Sul; o Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado do Rio Grande do Sul (SINDESP/RS); o Sindicato dos Empregados em Empresas de Telemarketing e Rádio Chamada do Estado do Rio Grande do Sul (SINTRATEL/RS); a Federação dos Trabalhadores no Comércio de Bens e Serviços no Estado do Rio Grande do Sul (FETRACS); e a Federação dos Vigilantes e Empregados de Empresas de Segurança, Vigilância e Transporte de Valores do Estado do Rio Grande do Sul (FEVIG-RS).
Vitivinicultura – Antes, em Farroupilha, o ministro Luiz Marinho reuniu-se com entidades do setor vitivinícola para conhecer os avanços num acordo de boas práticas, firmado em maio desse ano com a Federação das Cooperativas Vinícolas do RS (Fecovinho). O pacto com a entidade surgiu após a confirmação de trabalho análogo à escravidão na produção de vinho, especialmente por empresas terceirizadas nas épocas de safra e de poda.
A intenção do acordo foi promover o trabalho decente e aperfeiçoar as relações e condições trabalhistas no setor vitivinícola, propondo medidas práticas para evitar a exploração trabalhista, com compromisso dos produtores do Estado de não utilização de mão de obra em condições análoga à escravidão, evitando a desigualdade e discriminação.
“O setor do vinho, a partir da ocorrência do fato, pode servir de exemplo para mostrar para outros setores do país, dar um efeito farol para outras atividades econômicas. Precisamos virar essa página é dar bons exemplos”, avaliou.
O Pacto estimula à negociação permanente sobre condições de trabalho, resolução de conflitos e o fortalecimento de mecanismos de diálogo entre a administração pública, empregadores, trabalhadores e a sociedade civil.
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