12 jan Lula chama centrais para discutir valorização do mínimo
Lula chama centrais para discutir valorização do mínimo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) receberá representantes das centrais sindicais na quarta-feira para “abrir uma mesa de negociação” em relação à política de valorização do salário mínimo e fazer um ato em defesa da democracia. O convite foi feito ontem pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, aos sindicalistas.
Dentro do governo, discute-se formas de adequar o Orçamento ao compromisso de campanha do petista de adotar uma política de valorização do salário mínimo. O salário mínimo atualmente está em R$ 1.302 por causa de uma medida provisória (MP) assinada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Na equipe de Lula, a promessa era ampliar o valor para R$ 1.320, o que considerava a inflação, mais a média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos cinco anos anteriores. As centrais defendem o valor de R$ 1.347.
Uma das alternativas em estudo pelo governo é adiar a entrada em vigor do novo salário mínimo. O valor ficaria congelado até 1º de maio, Dia do Trabalhador. Com o pagamento dos R$ 1.320 apenas nos últimos sete meses do ano, e não durante os 12 meses de 2023, o gasto para as contas públicas com salários, aposentadorias e pensões seria menor.
O adiamento do reajuste pode ocorrer com as discussões sobre qual será a política de valorização adotada neste novo governo Lula. Nas gestões anteriores, o cálculo era baseado na inflação do ano anterior, mais o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos antes.
Segundo o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, Marinho informou que Lula deve abrir uma mesa de negociação com os sindicalistas para discutir essa nova política de valorização do piso salarial.
“Não foi conversado conosco congelamento ou adiar o aumento. A reunião será importante para tratar da questão do salário mínimo e sua política futura”, disse.
Ainda de acordo com o secretário-geral da Força, serão criadas duas mesas tripartite (com trabalhadores, empresários e o governo). Uma delas tratará de questões relacionadas à negociação coletiva e outra de trabalhadores de aplicativo, como iFood e Uber.
O presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Adílson Araújo, ressaltou que há forças externas ao governo pressionando contra a política de valorização, mas que os sindicatos não abrirão mão do cumprimento dessa promessa de campanha. “Se o governo tem que tirar, a conta certamente não vai fechar se a decisão for tirar do salário mínimo. Tem que tirar da desoneração, das grandes empresas, dos bilionários”, afirmou.
De acordo com o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, as centrais também aproveitarão o período em Brasília na próxima semana para reuniões com outros ministros, como o da Indústria, Comércio, Serviços e Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, e da Previdência, Carlos Lupi, além de um encontro com Marinho.
Nos cálculos de Gabriel Leal de Barros, economista-chefe e sócio da Ryo Asset, o reajuste do salário mínimo para R$ 1.320 custaria R$ 7,2 bilhões para o governo federal ao longo de 2023, na comparação com o mínimo de R$ 1.302.
Por sua vez, na comparação com o mínimo de R$ 1.212 em vigor no ano passado, o salário de R$ 1.302 aumenta as despesas do governo federal em R$ 36 bilhões.
Mesmo com o reajuste abaixo do aprovado no Orçamento, ainda houve alta real, de 1,41%.
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