Lula tem indisposição e falta a encontro com empresários do varejo em São Paulo

Lula tem indisposição e falta a encontro com empresários do varejo em São Paulo

Publicado em 11 de agosto de 2022

Os principais empresários do varejo reuniram-se na manhã de ontem com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, e Aloizio Mercadante, coordenador do programa de governo do candidato petista. O encontro, que foi organizado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), no hotel Unique, em São Paulo, teve dois temas centrais: a reforma tributária e revogação da reforma trabalhista.

Os empresários questionaram como o PT deverá conduzir as reformas, caso o ex-presidente Lula seja eleito. O ex-presidente não compareceu à reunião por conta de uma indisposição estomacal. De acordo com sua assessoria, a indisposição não tem gravidade. O encontro reuniu cerca de 60 varejistas, entre eles, a empresária Luiza Trajano (Magazine Luiza), e Flávio Rocha (Riachuelo).

“Havia uma preocupação do setor, de forma geral, sobre uma eventual revogação da reforma trabalhista, mas tanto Alckmin como Mercadante não sinalizaram uma mudança radical nesse sentido, caso o Lula seja eleito”, disse ao Valor Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV. Gonçalves é executivo da rede Telhanorte Tumelero.

A revogação da reforma trabalhista é um ponto sensível ao empresariado. Outro tema discutido foi sobre como a reforma tributária deverá ser conduzida em um eventual governo do PT. “Colocamos em debate a importância de uma reforma ampla, que não só atenda aos Estados e municípios, como o empresariado e consumidores.”

Segundo o presidente do IDV, Alckmin estava “muito à vontade” no encontro com os varejistas e não fugiu das perguntas durante as duas horas da reunião.

No encontro, os empresários aproveitaram para discutir também a possibilidade de avanços na atual legislação das plataformas de comércio eletrônico. O tema foi levantado pelo IDV, principal entidade do setor, e Mercadante acenou com a possibilidade de avançar numa pauta voltada à regulamentação dos “marketplaces” (operação de venda de itens de terceiros), e aumento de fiscalização de sites e aplicativos asiáticos.

Esse é um tema que vinha avançando no início do ano, dentro do atual Ministério da Economia, de Paulo Guedes, mas o presidente Jair Bolsonaro se posicionou publicamente, em maio, contra eventuais mudanças ligadas a essas plataformas.

A conversa sobre esse tema não avançou em relação a alguma medida específica, como eventual criação de nova taxação dessas plataformas, mas houve sinalização positiva para se discutir formas de tornar a competição mais justa e menos danosa aos cofres públicos.

“A questão levada a eles foi da competição injusta e da sonegação fiscal, com a entrada de milhões de produtos sem fiscalização, causando evasão fiscal monstruosa”, disse uma fonte presente ao encontro. Mercadante chegou a levantar a hipótese de responsabilizar as plataformas em termos sociais, em criar formas de proteger os funcionários das empresas de entrega.

“[Essa questão] é uma bandeira muito cara ao varejo e vai estar em todas as reuniões com os candidatos”, disse um empresário que esteve presente.

O IDV apresentou os dados de um estudo, obtido pelo Valor em fevereiro, e já encaminhado ao atual governo, de que a sonegação nas plataformas ultrapassa os R$ 400 bilhões até hoje, sendo R$ 19 bilhões a R$ 20 bilhões só em 2020 – 80% dessas plataformas alvo do levantamento são da Ásia.

O IDV não é signatário da carta em defesa da democracia, que será lida hoje no Largo de São Francisco e na PUC, do Rio, que reúne quase 900 mil assinaturas. Ao Valor, o presidente do IDV afirmou que a entidade é apartidária e que pretende ouvir todos os candidatos à Presidência, antes de participar desses tipos de manifesto.

Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) também vão se reunir com o IDV no mês de agosto. A data para a participação do presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda está em discussão.

Fonte: Valor Econômico
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