Maioria dos juízes brasileiros faz tratamento contra depressão ou ansiedade

Maioria dos juízes brasileiros faz tratamento contra depressão ou ansiedade

Publicado em 28 de fevereiro de 2023

Ao lado do Uruguai, o Brasil é o país com maior percentual de juízes na América Latina que tomam medicação frequentemente para controlar o estresse e a ansiedade provocados pelo desempenho de suas atividades profissionais, coom 33% de todos os entrevistados.

Os dados são do “Perfil da magistratura latinoamericana”, estudo feito pelo Centro de Pesquisas Judiciais da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) e a Federação Latinoamericana de Magistrados (Flam).

Segundo os novos dados divulgados da pesquisa, 51% dos magistrados brasileiros afirmaram necessitar de tratamento médico, psicológico e psiquiátrico após ingressar na carreira. O número é o segundo maior dos países pesquisados e só fica atrás do Uruguai com 53%.

Anteriormente, a pesquisa havia demonstrado que 50% dos magistrados brasileiros afirmaram que já sofreram ameaça à sua vida e integridade física em virtude do exercício da função pública.

A pesquisa também revela que parte considerável dos magistrados e magistradas optou por não responder a essa pergunta. O maior percentual de abstenção ocorreu em Porto Rico, com 9% dos juízes deixando de responder.

Piora na saúde mental
Outro dado importante levantado na pesquisa é que a maioria dos magistrados concordou ou concordou parcialmente com a afirmação de que os casos de depressão, síndrome do pânico, crises de ansiedade e suicídio têm se tornado mais frequentes entre essa categoria profissional nos últimos dez anos.

O Brasil liderou as respostas, com 62% dos magistrados concordando muito. Em seguida, a Colômbia teve 40% de concordância. Se somadas as porcentagens dos que concordam muito ou parcialmente, o Brasil segue na frente com 80%, seguido do Chile com 76%. El Salvador, a Argentina e o Panamá tiveram menores porcentagens de magistrados que concordaram (41%, 42% e 44%, respectivamente).

“É evidente que enfrentamos um cenário gravíssimo, derivado da sobrecarga de trabalho, da desvalorização contínua da carreira, das violações às prerrogativas da magistratura e das ameaças a que vários de nós estão submetidos”, afirmou o presidente da AMB, Frederico Mendes Júnior.

Segundo ele, o quadro se exacerbou recentemente devido ao crescimento dos ataques aos magistrados em razão de decisões tomadas nos cursos de processos judiciais. “Além disso, movimentos políticos passaram a atentar contra o Poder Judiciário para obter ganhos eleitorais — o que, ao final, acaba por prejudicar o cidadão que precisa recorrer à Justiça.”

Perfil da magistratura
Ao todo, foram ouvidos 1.573 juízes de 16 nações, porém, ao final, somente 11 delas constaram do relatório — Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Panamá, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Brasil —, visto que para o restante não se obteve um quantitativo mínimo de respostas.

O propósito do levantamento, que abrange questões sobre prestação jurisdicional, relação com outros poderes e democracia, é conhecer o perfil dos juízes latinoamericanos e a percepção da magistratura a respeito do funcionamento do sistema judicial e dos entraves enfrentados, com vistas à formação de uma estratégia comum para o fortalecimento da independência judicial em toda a região.

O estudo apresentará, ainda, dados sobre discriminação dentro do Judiciário, ambiente de trabalho, utilização de redes sociais, atuação na pandemia e justiça criminal.

Clique aqui para ler a pesquisa

Fonte: Consultor Jurídico
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