Maratona no Congresso para votar jornada de trabalho

Maratona no Congresso para votar jornada de trabalho

Publicado em 5 de maio de 2026

O debate sobre o fim da escala 6×1 continua avançando no Congresso, e está previsto para ser votado nas comissões. A proposta entra na reta decisiva na Câmara em meio à disputa política e debate sobre renda. O presidente Hugo Motta (Republicanos, foto) articula uma verdadeira “maratona” de sessões até o dia 8 de maio para acelerar a tramitação da proposta que põe fim à escala de trabalho 6×1.

Avanço na jornada semanal

A estratégia é clara: levar a PEC à Comissão Especial e ao Plenário ainda neste mês, com o objetivo de avançar na redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A movimentação ocorre em um ambiente de forte disputa política. De um lado, o governo federal impulsiona a proposta, inclusive com campanha nacional lançada neste mês de maio de 2026, defendendo a adoção do modelo 5×2, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. De outro, setores empresariais já se organizam para reagir, alegando possíveis impactos nos custos e na produtividade.

Apoio popular

Levantamento da Quaest indica que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1. A classe empresarial está se organizando para argumentações contrárias, mas a verdade é que a maioria da população é favorável ao fim da escala 6×1. Mas o dado, embora expressivo, traz uma leitura mais complexa sobre as motivações desse apoio.

Complemento de renda

Segundo Felipe Nunes, fundador da Quaest, “o respaldo popular não se explica majoritariamente pelo desejo de descanso; há quem defenda por isso, mas a maior parte apoia por outro motivo: a possibilidade de usar esse dia livre para fazer um bico, um trabalho informal e complementar a renda”, afirma.

Salário o maior problema

A avaliação aponta para um diagnóstico mais profundo: o debate sobre jornada de trabalho está diretamente ligado ao nível de renda no país. “O problema do Brasil nem é tanto a escala, é a renda. Os salários são baixos, e isso penaliza a população”, resume Nunes.

Mudanças propostas e impacto

A proposta em discussão prevê a consolidação da jornada de 40 horas semanais como padrão, beneficiando trabalhadores celetistas e domésticos. Modelos especiais, como o 12×36, poderão ser mantidos via negociação coletiva, desde que respeitada a média semanal.

Elevar a produtividade

O governo argumenta que a medida pode reduzir o adoecimento mental e elevar a produtividade, impactando cerca de 37 milhões de trabalhadores. Já parte do setor produtivo demonstra preocupação com eventuais custos adicionais, especialmente em segmentos intensivos em mão de obra.

Tendência internacional e próximos passos

A discussão no Brasil acompanha um movimento global de revisão das jornadas de trabalho. Países como Chile e Colômbia já estão em processo de redução gradual, enquanto a França opera há anos com carga semanal inferior.

Primeiro grande teste político

No Congresso, a expectativa é de avanço nas próximas semanas, com a comissão especial já instalada e pressão crescente para votação. A maratona articulada por Hugo Motta deve ser o primeiro grande teste político para medir a viabilidade da proposta no plenário.

Fonte: Jornal do Comércio
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