Média salarial na indústria cai entre 2010 e 2019

Média salarial na indústria cai entre 2010 e 2019

Publicado em 22 de julho de 2021

IBGE mostra que setor atingiu menor nível de remuneração da série em 2019; número de pessoas ocupadas também recuou, 9,2% entre 2010 e 2019.

Mesmo antes da crise econômica causada pela pandemia, o patamar de salário da indústria no país, por número de salários mínimos, registrou em 2019 o menor nível em dez anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua Pesquisa Industrial Anual (PIA) Empresa e Produto. O instituto anunciou ontem a mais recente edição da pesquisa, na qual o salário médio mensal do setor ficou em 3,2 salários mínimos naquele ano, menor nível desde início da série em 2010 – quando era de 3,4 salários mínimos.

Esse enfraquecimento de salário ocorreu em cenário de menor número de vagas no setor. A pesquisa mostrou que houve perda equivalente a 769,3 mil vagas no setor industrial entre 2010 e 2019, equivalente a 9,2% do total dos postos de trabalho no setor, no período. Para Synthia Kariny Silva de Santana, pesquisadora do instituto, os resultados refletem vários aspectos, influenciados por menor ritmo de atividade da economia como um todo. Em 2010, a economia brasileira cresceu 7,5%; em 2019, o PIB subiu 1,1%. Ainda na análise dela, é uma “incógnita” se o avanço da covid-19 levou a mudanças estruturais no setor industrial em 2020, como no caso de patamar de salários, por exemplo.

Ao falar sobre os dados, a pesquisadora notou que há grande diferença nos patamares de salário entre indústria extrativa e indústria da transformação, que compõem setor industrial. Os salários do setor extrativo, nessa mensuração feita pelo IBGE, operam acima da indústria da transformação desde 2010, acrescentou. “A redução da remuneração média das empresas é resultado do desempenho de algumas atividades que pagam mais ou menos do que outras”, afirmou ela.

Mas tanto indústria da transformação quanto indústria extrativa mostraram patamares menores de salário industrial, por quantidade de salários mínimos, entre 2010 e 2019. No caso da indústria extrativa, o salário médio mensal saiu de 5,9 salários mínimos em 2010 para 4,6 salários mínimos em 2019. Já no caso da indústria da transformação, passou de 3,3 salários mínimos para 3,1 salários mínimos, no mesmo período.

O patamar menor de salário na indústria não foi o único retrocesso observado na pesquisa. No levantamento, o instituto fez raio-x do setor industrial em cenário pré-pandemia. Em 2019, a indústria de transformação, que responde por 97,5% do emprego da indústria, tinha 7,426 milhões de empregados, ante 8,212 milhões em 2010, um recuo de 9,5%. Houve aumento na força de trabalho da indústria extrativa, mas essa emprega bem menos do que a de transformação: era de 175 mil pessoas em 2010 e subiu para 192 mil em 2019.

Na prática, até 2019, a indústria como um todo ainda operava concentrada no Sudeste, e com receita impulsionada por commodities e itens relacionados, informou o IBGE. Região mais industrializada do país, com mais da metade (55,3%) do total das vendas do Brasil, e onde estão localizadas as maiores bacias petrolíferas do país, os produtos líderes da industria do Sudeste foram óleos brutos de petróleo, óleo diesel, e minérios de ferro. Esses itens totalizaram 12,6% da receita de vendas na região. Além disso, no caso das commodities e itens relacionados, esses responderam por quase um quinto da receita das empresas industriais em 2019. O valor total apurado em receita líquida de vendas, do setor, foi de cerca de R$ 2,8 trilhões naquele ano, em valores nominais, ou seja, não deflacionados. No ranking das dez maiores fatias de participação de produtos ou serviços industriais, no total da receita líquida de 2019, nove são commodities ou itens relacionados a elas, informou o IBGE.

Ao ser questionada sobre projeções para o setor na pesquisa de 2020, a especialista do IBGE foi cautelosa e frisou ser muito cedo para saber as reais implicações da pandemia em todos os aspectos estudados pela PIA. “Temos os resultados de contas nacionais [do efeito da pandemia no PIB]. Mas dentro da indústria não sabemos que setor foi mais afetado, que tipo de mão de obra foi mais ou menos afetado [no âmbito estrutural].”

Fonte: Valor Econômico
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