27 ago Mercado de trabalho é pior para pessoas com deficiência, diz IBGE
Mercado de trabalho é pior para pessoas com deficiência, diz IBGE
Apenas 28,3% das pessoas com deficiência estavam na força de trabalho em 2019; percentual era de 66,3% para os demais.
Entre as pessoas com deficiência e em idade de trabalhar (mais de 14 anos), apenas 28,3% estavam na força de trabalho em 2019, ou seja, trabalhavam ou buscavam vagas. A parcela é bem inferior à de 66,3% das pessoas sem deficiência. A diferença também aparece no chamado nível de ocupação, a parcela da população em idade de trabalhar que está inserida de alguma forma no mercado. Essa taxa era de 25,4% para as pessoas com deficiência e 60,4% para as demais.
As informações são parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 – Ciclos de Vida, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que traz um retrato sobre as pessoas com deficiência no Brasil.
“Há um desnível muito grande na presença no mercado entre pessoas com deficiência e sem deficiência. Esse menor percentual é explicado pela menor participação das pessoas com deficiência na força de trabalho. Aparece em todas as regiões, mas no Sul e Sudeste tem uma diferença maior que a nível nacional”, diz a analista da pesquisa Maíra Bonna Lenzi.
Segundo Maíra, parte do fenômeno está relacionado com o baixo nível de escolaridade das pessoas com deficiência, que precisa ser combatido com políticas de melhor acessibilidade nas escolas. Na população acima de 18 anos, o aqueles sem instrução são 67,6% das pessoas com deficiência, mais que o dobro da taxa de 30,9% entre aquelas sem deficiência. Já a parcela dos que têm ensino médio completo e superior incompleto é de 16,6% entre os com deficiência e de 37,2% nos demais.
A pesquisa mostra que, em 2019, o Brasil tinha 17,258 milhões de pessoas com dois anos ou mais de idade (8,4% da população nessa faixa etária) com algum tipo de deficiência, como visual, auditiva, motora e mental ou intelectual.
A proporção de pessoas com deficiência é maior nas áreas rurais – 9,7% ou 2,9 milhões – que nas urbanas (8,2% ou 14,4 milhões) e também entre mulheres, com 10,5 milhões (9,9% do total), que entre os homens – 6,7 milhões, ou 6,9%.
Outro aspecto importante é que quanto maior a faixa etária, maior é a proporção dessas pessoas. Entre aqueles com mais de 60 anos, os que estão nesta condição representam um quarto (24,8%) do total da faixa etária, com 8,5 milhões de pessoas. Entre as crianças de 2 a 9 anos, são 332 mil crianças com deficiência, ou 1,5% da faixa etária.
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