Mercado de trabalho está aquecido mas tendência é ‘andar de lado’ nos próximos meses, diz FGV

Mercado de trabalho está aquecido mas tendência é ‘andar de lado’ nos próximos meses, diz FGV

Publicado em 5 de julho de 2024

A análise é de Rodolpho Tobler, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao falar sobre o aumento de 0,5 ponto no Indicador Antecedente de Emprego de junho, para 79,4 pontos.

O mercado de trabalho se encontrava aquecido até junho, mas a tendência para os próximos meses é de uma estabilização no ritmo de abertura de vagas. A análise partiu de Rodolpho Tobler, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao falar sobre o aumento de 0,5 ponto no Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) de junho, para 79,4 pontos, anunciado nesta quinta-feira (4) pela FGV. No entendimento dele, possíveis incertezas na economia e na condução de política econômica devem elevar cautela do empresariado. Em ambiente mais incerto, o empresário pensa duas vezes antes de abrir novos postos de trabalho, lembrou ele.

Na evolução do indicador, o especialista comentou que o aumento no índice em junho veio após recuo de 1,3 ponto em maio. Ele lembrou que, naquele mês específico, houve noticiário intenso sobre ruído de comunicação entre Executivo e Legislativo, e também entre Executivo e Banco Central (BC). Também havia dúvidas sobre trajetória da taxa básica de juros (Selic) naquela ocasião. “Mas agora vemos que aquela queda foi pontual, e causada por ruídos em política econômica” disse ele.

O especialista comentou que o recuo de maio foi a primeira queda do índice em seis meses. Isso porque o mercado de trabalho, lembrou o especialista, tem dado sinais de aquecimento desde meados do ano passado. O emprego formal tem mostrado resultados positivos sucessivos desde então, notou.

No entanto, as mesmas incertezas que levaram ao recuo de maio podem impedir novas altas intensas no IAEmp, comentou o técnico. Ele ponderou que, há muitas dúvidas na área fiscal neste momento, na condução de política monetária, com a saída do atual presidente do Banco Central (BC), cujo mandato termina esse ano. Ao mesmo tempo, permanecem ruídos de comunicação entre Executivo e Legislativo, comentou.

“O mercado de trabalho está mais aquecido do que esperávamos”, admitiu. “Mas acho que a tendência é dar uma certa ‘estabilizada’ juntamente com a economia” afirmou. “A incerteza [em relação à economia e política monetária] é uma variável negativa que pode atrapalhar decisão do empresariado [de abrir ou não vagas]”, alertou. “A previsibilidade é muito importante para o mercado de trabalho. Quando o empresário vê possibilidade vê problema à frente, ele se sente menos seguro, e a decisão de contratação é postergada”, explicou.

Para Tobler, é preciso um ambiente sem conflitos entre poderes, e com menos ruído de comunicação entre governo e Banco Central (BC). Somente assim o empresariado pode ter uma visão mais clara, não somente da trajetória da economia, mas também de condução de política monetária – e, assim, se sentir mais confortável para abrir novas vagas.

Fonte: Valor Econômico
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