02 jan Mercado de trabalho perde fôlego, mostra Caged de novembro
Mercado de trabalho perde fôlego, mostra Caged de novembro
Com geração de vagas restrita a serviços e comércio, indicador dá sinais de esgotamento do ciclo de alta com crescimento aquém do esperado.
Em um sinal de que o mercado de trabalho começa a perder ímpeto, em linha com o restante dos indicadores da economia brasileira no segundo semestre, a geração de empregos com carteira assinada ficou aquém do esperado pelos analistas em novembro.
Segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou criação líquida de 130.097 vagas com carteira assinada em novembro. O resultado ficou abaixo da mediana das projeções colhidas pelo Valor Data, que apontavam abertura líquida de 154 mil vagas.
Apenas dois setores da economia tiveram abertura líquida de postos formais de trabalho em novembro: serviços, com 92.620 vagas geradas, e em comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, com 88.706. Os demais setores tiveram fechamento de vagas no mês: agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-21.017); indústria geral (-12.911); e construção (-17.300). No ano, por outro lado, todos os cinco setores têm saldo positivo – no acumulado de 2023, o país abriu 1.914.467 vagas com carteira assinada.
Impulsionado pelas contratações temporárias de fim de ano, houve também criação de 35.082 novos postos de trabalho intermitente, de aprendizes, temporários.
Já o salário médio de admissão caiu a R$ 2.021,73 em novembro, de R$ 2.031,36 no mês anterior. Ao mesmo tempo, o salário médio de demissão passou de R$ 2.117,92 para R$ 2.132,88.
Como lembra o economista da LCA Consultores Bruno Imaizumi, faz parte da sazonalidade de fim de ano o impulso à contratação nos setores de comércio e serviços. No entanto, ele acredita que alguns resquícios da reabertura pós-pandemia ainda se mostram presentes.
Isso ocorreu em Vestuário e Acessórios, setor que criou 19 mil vagas em novembro, e Calçados e Artigos de Viagem, com geração de 10,3 mil vagas, em um sinal de recuperação após anos de performance ruim.
Já os serviços foram novamente impulsionados pela criação de vagas em cargos de limpeza, manutenção, segurança e portaria.
“São empregos da categoria Atividades Administrativas e Serviços Complementares, que se beneficiam do retorno das empresas ao esquema híbrido de jornada”, explica Imaizumi.
“Setor de serviços foi a grande surpresa, ajudando na formalização”
O economista pondera que 2023 deve fechar com um geração menor de vagas na comparação com 2022, apesar do crescimento esperado do PIB ser semelhante. Ele projeta 1,53 milhão de novos postos de trabalho este ano, contra 2 milhões no ano passado.
Essa diferença, ressalta, se dá pelo fato de que os motores da economia desta vez ficaram do lado da oferta – em especial, a agricultura -, que costumam gerar menos vagas.
“Mesmo com o grosso do crescimento econômico vindo da agricultura, que emprega menos, 2023 não teve destruição de vagas”, ressalta a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória. “O setor de serviços foi a grande surpresa, ajudando nessa formalização do mercado de trabalho.”
Em sua avaliação, a queda do de ritmo de criação de vagas não significa que o desemprego deve aumentar sensivelmente em 2024. “Ano que vem, com a queda da Selic, a construção civil pode trazer uma boa notícia para o emprego, sobretudo no segundo semestre.”
Imaizumi também vê resiliência, com geração de um número pouco acima de 1 milhão de vagas. “Algumas surpresas podem acontecer, como da remodelação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que pode impulsionar empregos no setor de infraestrutura. Mas também em novas modalidades de trabalho pós-pandemia. Vejo uma evolução positiva e lenta do mercado e trabalho como um todo”, acrescenta.
O ministro do Trabalho e Emprego em exercício, Francisco Macena comemorou os dados e disse esperar um “ciclo virtuoso” em 2024. “Expectativa é que possamos ter grande crescimento econômico em 2024 com baixa dos juros e aumento do investimento público. Acreditamos que investimentos do PAC vão impulsionar muito a geração de vagas formais”, afirmou.
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