Mercado de trabalho supera projeções, mas fôlego tende a diminuir

Mercado de trabalho supera projeções, mas fôlego tende a diminuir

Publicado em 30 de março de 2022

Caged mostrou que em fevereiro país registrou 2.013.143 admissões.

O mercado de trabalho brasileiro registrou abertura líquida de 328.507 vagas com carteira assinada em fevereiro, resultado de 2.013.143 admissões menos 1.684.636 desligamentos.

Os números, do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Previdência, ficaram acima das projeções de mercado.

O resultado de fevereiro, no entanto, é pior do que o registrado em fevereiro de 2021, quando foram criadas 397.463 vagas.

Em 2020, o Caged passou por mudanças metodológicas, e especialistas apontam que não é adequado comparar os dados atuais com os da série histórica anterior, que vai até 2019.

Com os números de fevereiro, o saldo de contratações acumulado em 2022 está positivo em 478.862 postos, resultado de 3.818.888 admissões e 3.340.026 desligamentos. Em fevereiro do ano passado, o país tinha aberto mais vagas: 651.756 vagas.

Para este ano fechado, a projeção mediana do mercado é de abertura de 925 mil postos, segundo o Valor Data.

O governo faz uma projeção muito maior e fala em uma expectativa de que o Brasil crie liquidamente 2 milhões de vagas formais de emprego neste ano.

O balanço do Caged divulgado ontem mostrou que em 25 Estados houve criação líquida de postos de trabalho formais em fevereiro.

O economista Tiago Barreira, da IDados, aponta que a geração de vagas com carteira assinada foi puxada pelo setor de administração pública, educação e saúde. “Mais de um terço desse resultado veio desse setor. Alguns fatos podem explicar isso, como a contratação de cerca de 200 mil trabalhadores temporário pelo IBGE para a realização do Censo neste ano ou a contratação de professores para a volta às aulas”, diz o analista.

“Como o Caged tornou obrigatório o registro de contratações temporárias, o dado divulgado inicialmente é mais sensível a essas flutuações”, afirma ele.

Lucas Assis, economista da Tendências Consultoria, lembra que a reabertura da economia em meio ao enfraquecimento da pandemia da covid-19 segue beneficiando o mercado de trabalho, em especial o de serviços presenciais. Mas a avaliação da Tendências é que, com o cenário de baixíssimo crescimento da este ano, o ritmo de abertura de novas vagas vai começar em algum momento a diminuir.

Outro fator que deve pesar contra a geração de vagas é o fim do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), que contava com 715 mil empregos com garantia provisória em fevereiro, mas se encerra em abril.

Os dados de ontem do Caged mostraram que em fevereiro houve saldo positivo de postos de trabalho na agricultura (17.415), indústria geral (43 mil), construção (39.453), comércio (13.219) e serviços (215.421).

O salário médio de admissão nos postos formais de trabalho foi de R 1.878,66 em fevereiro. O número representa queda de 3,15%, ou R$ 61,14, na comparação com janeiro.

Fonte: Valor Econômico
No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.