Microsoft e Well Fargo respondem sobre questão racial

Microsoft e Well Fargo respondem sobre questão racial

Publicado em 8 de outubro de 2020

Questionamento partiu do Departamento do Trabalho dos EUA, já que as empresas favorecem os negros na carreira.

A Microsoft e o Wells Fargo foram contatados pelo Departamento do Trabalho dos EUA na semana passada, questionando seus planos de contratar mais funcionários negros à medida que buscam diversificar seus cargos de gestão.

A Microsoft afirmou que a agência está questionando se sua promessa de dobrar o número de gerentes e líderes negros em sua força de trabalho nos EUA até 2025 viola as leis federais que proíbem a discriminação com base na raça.

“Temos plena confiança de que a iniciativa de diversidade da Microsoft está em total conformidade com todas as leis trabalhistas dos Estados Unidos”, disse o consultor-geral da Microsoft, Dev Stahlkopf, em um blog.

O Wells Fargo prometeu, também em junho, dobrar o número de líderes negros no banco em cinco anos. Recentemente, recebeu uma carta da mesma agência lembrando o banco de que não pode discriminar com base na raça para fornecer oportunidades adicionais e que as cotas são proibidas.

Um porta-voz do Wells Fargo disse que o banco “está comprometido e tomando medidas para se tornar uma empresa mais diversificada e inclusiva. Vários esforços estão em andamento para implementar mudanças em todos os níveis da empresa, e estamos confiantes de que cumprem as leis trabalhistas dos Estados Unidos”.

Funcionários negros representam cerca de 4,5% da força de trabalho da Microsoft nos EUA e menos de 3% dos cargos seniores, de acordo com o relatório de diversidade da empresa de 2019. Na Wells Fargo, os funcionários negros são atualmente 6% da alta administração. Isso se compara a cerca de 13% da população dos EUA.

Depois do assassinato de George Floyd em maio e dos apelos por igualdade racial, a Microsoft e a Wells Fargo estavam entre várias empresas, desde a Adidas da Alemanha até o Facebook do Vale do Silício e o Magazine Luiza no Brasil, que fizeram promessas de contratar mais funcionários negros.

Em uma carta de 29 de setembro à Microsoft, Craig Leen, diretor do Office of Federal Contract Compliance Programs, disse que essa iniciativa “parece implicar que a ação trabalhista pode ser tomada com base na raça”. A carta pedia à Microsoft que provasse que as ações que está tomando não são decisões ilegais baseadas em raça. A carta para Wells Fargo também é datada de 29 de setembro.

No mês passado, o governo Trump emitiu uma ordem executiva que proíbe empresas com contratos federais de participarem de treinamentos que “promovam estereótipos de raça ou sexo”. O departamento criou uma linha direta para os trabalhadores denunciarem suas empresas por violar potencialmente a ordem.

Em junho, a Microsoft disse que intensificaria os esforços para combater as disparidades raciais fora da empresa, incluindo a criação de um fundo de investimento de US$ 50 milhões focado no apoio a pequenos negócios de propriedade de negros. A empresa se comprometeu a usar dados e tecnologia para identificar disparidades raciais no sistema de justiça criminal e melhorar o policiamento.

“Acreditamos que é uma parte central de nossa missão fazer de nossa empresa, nossa comunidade e nosso país um lugar onde pessoas de diferentes pontos de vista e experiências sejam bem-vindas e possam prosperar”, disse a Microsoft em seu blog.

O Wells Fargo adicionou dois líderes negros seniores ao seu comitê operacional, está exigindo uma lista diversificada de candidatos para funções que pagam mais de US$ 100 mil e está mudando seu sistema de remuneração para responsabilizar os gerentes seniores por atingir diversos objetivos de contratação e promoção.

Fonte: Valor Econômico
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