22 mar Ministro do Trabalho debate terceirização com setor industrial
Ministro do Trabalho debate terceirização com setor industrial
No segundo dia de visita ao Rio Grande do Sul, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou, ontem, de um café da manhã com a diretoria da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). A contratação de temporários, especialmente na lavoura, esteve entre as principais pautas, que também versaram sobre a questão da qualificação profissional e a reforma trabalhista. Para o titular da pasta, a retomada do diálogo é essencial para que se possa atravessar “este momento delicado da economia nacional”.
De acordo com ele, “as conversas estavam interrompidas com o governo anterior, distante do mundo empresarial e sindical”. Em relação às contratações por períodos específicos, como o caso dos safristas, o ministro demonstrou preocupação com os recentes casos de trabalho análogo à escravidão. “Nós estamos criando condições para melhorar as relações entre empregadores e trabalhadores. Há, no momento, uma dificuldade em formalizar estes vínculos por conta do medo da perda do Bolsa Família. A insegurança destas pessoas era ficar sem o benefício, ou parte dele, e depois não conseguir recuperá-lo.
Então, criamos condições para que este direito seja reduzido ou suspenso apenas durante o período do contrato”, detalha Marinho. Nesse sentido, o diretor executivo do Sindicato da Indústria do Vinho, Gilberto Pedrucci, afirma que o setor busca aprimorar a questão das contratações, ampliando o modelo para todas as culturas que têm colheitas em períodos específicos.
“A necessidade de mão de obra é inerente às nossas atividades, precisamos dar condições para que estas pessoas trabalhem de forma correta no campo. Dentro das vinícolas não tivemos nenhum problema com nossos quadros funcionais”, ressalta. A posição da Fiergs, apresentada pelo coordenador do Conselho de Relações do Trabalho da entidade (Contrab), Guilherme Scozziero, é de que haja um estreitamento da conexão entre os sindicatos e os empresários para atingir um denominador comum para ambos os lados, pois “é muito difícil que uma mesma legislação contemple as necessidades de todas as categorias”. “A negociação coletiva faz parte do DNA da Fiergs e acreditamos na geração de empregos como uma das principais formas de desenvolvimento do Estado. Para isso, temos que estar sintonizados com os atores que estão fazendo isso no momento. O problema em si não é a terceirização, mas a forma como é feita”, reforça o gestor. O roteiro do ministro no Estado incluiu passagens por Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Porto Alegre. Ele manteve encontros com viticultores e representantes de sindicatos patronais, com membros dos poderes Executivo e Legislativo, além de entidades representativas.
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