MP que devia criar empregos vira fachada para nova reforma trabalhista

MP que devia criar empregos vira fachada para nova reforma trabalhista

Publicado em 13 de novembro de 2019

Escondidas no programa Verde Amarelo, iniciativas do governo Bolsonaro incluem mudanças profundas nas relações de emprego.

Programa foi anunciado no final da tarde, sem detalhamento.

O que deveria ser uma medida provisória para responder ao maior problema do Brasil da segunda década dos anos 2000, a taxa de desemprego elevada por muitos anos, corre o risco de se transformar em mera fachada para uma nova reforma trabalhista. Ao começar a identificar, um a um, todos os pontos incluídos na MP 905, especialistas têm encontrado surpresas. Mais do que regular a criação incentivada de empregos, a legislação abrange um conjunto tão grande de mudanças profundas nas relações de trabalho que se assemelha mais a uma nova reforma trabalhista – uma minirreforma, ao menos.

O governo Bolsonaro tem todo o direito de apresentar mudanças à legislação vigente: foi eleito para isso. No entanto, é obrigação constitucional dar a devida publicidade – aqui no sentido de conhecimento, não de propaganda – a suas propostas.

A MP do Programa Verde Amarelo foi apresentada no final da tarde, cercada apenas de breves comentários dos responsáveis, como o secretário especial de Previdência e do Trabalho, Rogério Marinho. Não houve, como ocorreu com outros dois pacotes do Planalto, a reforma da Previdência e o conjunto de propostas de emendas constitucionais (PECs), detalhamento exaustivo.

Usar um desconto extra no pagamento do seguro-desemprego para financiar o subsídio
à geração de postos de trabalho poderia ser apenas uma nota de mau gosto no pacote.
Mas inclui temas tão abrangentes quanto a regulamentação do trabalho aos domingos, mudanças no formato da fiscalização do trabalho e a extinção do registro profissional de várias categorias – inclusive a de jornalistas , com a qual Jair Bolsonaro costuma alimentar conflito.

O alcance das medidas e o formato de medida provisória, que em tese tem efeito imediato, exige do governo, no mínimo, mais disposição para esclarecimentos. Até porque há outras minirreformas trabalhistas em andamento, como é o caso das mudanças nas normas regulamentadoras (NRs), feitas aos poucos.

 

Fonte: Zero Hora
No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.