“Não adianta ter um plano estratégico preso na diretoria”

“Não adianta ter um plano estratégico preso na diretoria”

Publicado em 21 de julho de 2022

Clarice Costa, ex-diretora de RH da Renner, defende que é preciso abrir dados para os funcionários para que eles saibam aonde a companhaa quer chegar.

Para um planejamento estratégico bem-sucedido é preciso que o “cascateamento” das informações chegue a todos os níveis. “É bobagem pensar que não se deve abrir os dados, pelo receio de vazar na concorrência. Os funcionários precisam saber aonde a empresa quer chegar”, disse Clarice Martins Costa em entrevista à editora Stela Campos, em live da série RH 4.0, do “Carreira em Destaque”.

Costa é presidente do conselho deliberativo do Instituto Lojas Renner e ex-diretora de recursos humanos das Lojas Renner S/A, onde trabalhou por quase 30 anos. Atuou ao lado do ex-CEO José Galló na implementação de um plano estratégico de crescimento para a Renner. De 1992 até 2021, quando deixou a direção de RH para se aposentar, a varejista saltou de 800 para 24,2 mil funcionários e de 8 para 600 lojas. Em 2021, a receita líquida chegou a R$ 9,5 bilhões.

A experiência nesse período de Renner, no qual vivenciou as principais tendências do RH, Costa conta no livro recém-lançado “Gestão de pessoas na estratégia empresarial” (Qualitymark). Na entrevista, ela explica porque toda a área de gestão de pessoas é estratégica para o planejamento de negócios.

“Os RHs sempre foram comedidos em relação a dados e números”, disse. Mas o “people analytics”, que se baseia na análise de dados sobre os empregados, em sua opinião, veio para ficar. “Permitem hoje à área diminuir o turnover, ter mais assertividade na escolha dos treinamentos, melhorar o ambiente de trabalho e propor soluções concretas para o alto escalão”, afirmou. “Ainda vejo muito processo seletivo sendo feito no ‘manual’. As empresas precisam redesenhar a seleção e atração de talentos e usar mais estrategicamente o digital. Quem não está nas redes sociais está fora [da realidade].”

Uma das pioneiras da agenda ESG nas corporações, a executiva chegou a acumular a direção da área de sustentabilidade na Renner, antes da sigla virar moda. Ela acredita que para uma empresa ser atrativa para os novos talentos, seus recrutadores devem realçar as iniciativas reais de sustentabilidade e o compromisso público da companhia com a diversidade. Costa lembra que existem candidatos que leem os relatórios de sustentabilidade das empresas antes de avaliar um emprego. “Os profissionais não querem mais trabalhar em locais sem diversidade.”

Sobre as novas competências para a liderança hoje, ela ressalta a flexibilidade. “Para mudar pontos de vista, aceitar ideias divergentes e permitir que suas equipes também deem feedbacks”, detalhou. “Além disso, o líder deve ser ‘inspiracional’ e ter clareza de propósitos”. Costa, que também é psicóloga, lembra que uma das molas de desenvolvimento da Renner foi garantir autonomia para os funcionários. “Quando há a confiança da direção nos times, os profissionais se sentem mais seguros para agir.”

Integrando comitês de pessoas dos conselhos de empresas como Copersucar, Panvel e Picadilly, ela acredita que a gestão de pessoas tem um novo espaço após a pandemia. “A pauta da sucessão ganhou uma relevância enorme”. Os conselhos, diz, viram que precisavam rever estruturas, trazer pessoas novas, um tipo de estratégia que antes era comum nas companhias de capital aberto e agora chegou a outros tipos de empresas.”

Fonte: Valor Econômico
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