Nem todo empréstimo consignado CLT é ruim; saiba diferenciar

Nem todo empréstimo consignado CLT é ruim; saiba diferenciar

Publicado em 6 de abril de 2026

As taxas de juros variam de menos de 2% a bizarros 30% ao mês. É preciso cuidado.

Nem todos os empréstimos consignados CLT oferecidos aos trabalhadores são ruins. O importante é saber diferenciar qual presta e qual vai gerar uma sangria no orçamento da sua família. A grande questão é o juro.

Segundo pesquisa recente do Banco Central, a taxa cobrada está variando de 1,62% a 7,07% ao mês. Mas a coluna, como já relatou aqui, vê taxas de 15%, 17% e até absurdos 33% ao mês. As menores são cobradas por bancos públicos. Já as maiores são de financeiras — geralmente envolvidas em outros problemas por aí — ou bancos bem desconhecidos.

Um juro de 1,62% é bom! Fica menor do que empréstimos comuns com bancos e é até mesmo inferior à taxa de consignado para aposentados (1,81%) e servidores públicos (1,79%). Ou seja, torna-se uma opção para trocar uma dívida cara, para imprevistos ou algum consumo necessário.

Já a taxa máxima encontrada pelo Bacen, de 7,07%, já é elevada. Chega a se aproximar do cheque especial, usado quando a pessoa gasta tudo que tem na conta do banco, o que não tem explicação pois o consignado CLT tem desconto em folha salarial e garantia da multa rescisória em caso de demissão. Ou seja, o risco de não pagamento é bem menor.

Se olharmos para as taxas que a coluna encontrou, chegando a mais de 30%, a situação fica ainda mais bizarra. O rotativo do cartão de crédito (quando a fatura não é paga) tem juro médio de 15,22%. Por isso que a coluna tem dito que o governo federal precisa colocar um teto com urgência. As financeiras irresponsáveis cairão fora, mas paciência.

Antes do programa Crédito ao Trabalhador do governo federal, o empregado só podia tomar consignado com o banco que a empresa empregadora tivesse convênio. Com isso, havia um controle do juro. A concorrência que se esperava ao abrir para as demais não ocorreu e as taxas subiram.

Claro que o juro menor exige mais garantias na análise de crédito e alguns trabalhadores poderão não conseguir o consignado por estarem com as contas muito bagunçadas. Mas dar empréstimo a alguém nesta situação também não vai ajudá-la. Ainda mais porque descontrole, na maioria dos casos, se deve mais a falta de educação financeira do que a imprevistos que realmente exijam ajuda. Uma sugestão do presidente do Banrisul, Fernando Lemos, é buscar o consignado em bancos onde se recebe a folha de pagamento, o que pode ajudar na análise de crédito e a tendência é de que o juro seja menor.

Garantia do FGTS

Apesar de prometida, ainda não está operacionalizada a garantia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que o governo federal espera ajustar ainda neste semestre. Quando estiver em vigor, todos os trabalhadores poderão usar até 10% do saldo do FGTS como garantia e, também, 100% da multa rescisória na demissão sem justa causa (que equivale a 40% dos depósitos feitos pela empresa). A esperança é de que isso ajude a reduzir juro porque diminui o risco, algo que a coluna só acreditará vendo.

Uma cara ao problema

Para exemplificar, a coluna selecionou com a repórter Kyane Sutelo, entre as dezenas de mensagens enviadas nos últimos meses, alguns trabalhadores e empresários que lidam com o “pepino” do consignado CLT. Seus relatos foram ao ar no especial sobre o assunto no Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. Confira trechos.

Regis Monteiro, trabalhador com dois consignados CLT

– No primeiro mês é bom, mas a gente se esquece que tem um ano, um ano e meio para pagar. No fim, em vez de ajudar, a gente acaba se atrapalhando mais ainda.

Nelson Dorneles, trabalha com engarrafamento de gás

– Tirei empréstimo para trocar o telhado da casa. Optei pelo CLT, que teria juro mais baixo, mas acabei me esgoelando em contas. Vou trabalhar em dois empregos para quitar mais rápido.

Letícia Camilo, trabalha com serviços gerais

– Tenho uma conhecida que faz empréstimos e chamei ela para solicitar um CLT. A proposta liberava R$ 2,6 mil pagos em 24 parcelas de R$ 570! Calculei e dava um valor exorbitante. Recusei porque era juro abusivo.

Francisco Nascente, empresário

–  Tem funcionário recebendo R$ 500, R$ 600 de salário após os descontos do consignado CLT. Já tivemos dois casos em que tivemos que demitir porque precisavam receber as verbas rescisórias para colocar as contas em dia.

Júlia Lonzetti, empresária do setor de energia

–  Dos 50 funcionários da empresa, 26 têm empréstimos com juros entre 9% e 13% ao mês. O relato deles é de que uma vez que tu tomou o crédito, recebe mensagens no WhatsApp e ligações incentivando a pegar mais. É uma tentação.

Fonte: Giane Guerra
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