Nike e Dynasty Gold são investigadas no Canadá por trabalho forçado

Nike e Dynasty Gold são investigadas no Canadá por trabalho forçado

Publicado em 12 de julho de 2023

Fabricante de artigos esportivos e mineradora negam as acusações.

A Nike Canada Corp e a Dynasty Gold Corp estão sendo investigadas por uma agência do governo canadense por supostamente terem usado mão de obra uigur forçada em suas cadeias de suprimentos e operações.

As investigações foram anunciadas nesta terça-feira por Sheri Meyerhoffer, que comanda uma agência criada pelo governo do primeiro-ministro Justin Trudeau em 2019 para investigar as queixas de ativistas dos direitos humanos sobre empresas canadenses de vestuário, mineração e petróleo e gás que operam no exterior.

Meyerhoffer disse que seu departamento – chamado Canadian Ombudsperson for Responsible Enterprise – está agindo depois que as empresas se recusaram e entrar em mediação sobre as queixas.

“Para avaliar totalmente as alegações, decidi lançar uma investigação usando uma apuração independente dos fatos”, disse ela em uma entrevista coletiva. No caso da Nike, as queixas se basearam em grande parte em informações reunidas pelo Australian Strategic Policy Institute, que alegou que a companhia mantém relações na cadeia de suprimentos com várias empresas da China com ligações com o trabalho forçado de pessoas da etnia uigur.

“A Nike afirma que não tem mais vínculos com essas companhias e forneceu informações sobre suas práticas de due dilligence”, disse o departamento de Meyerhoffer em um comunicado à imprensa.

A Nike já havia refutado anteriormente alegações de que se beneficia de trabalho forçado, afirmando que não compra produtos da Região Autônoma Uigur de Xinjiang. A companhia informou “que nossos fornecedores contratados não estão usando tecidos ou fios produzidos na região”.

A companhia não respondeu imediatamente a um pedido para comentários sobre a investigação canadense.

A outra investigação analisará se a Dynasty Gold se beneficiou do uso de trabalho forçado uigur em uma mina na China em que a empresa sediada em Vancouver detém uma participação majoritária.

“A resposta da Dynasty Gold à queixa é que ela não tem controle operacional sobre a mina e que essas alegações surgiram depois que ela deixou a região”, disse o departamento de Meyerhoffer.

Ivy Ching, o presidente-executiva da mineradora, classificou as alegações de “totalmente infundadas”, em um e-mail enviado à Bloomberg. “As alegações sobre trabalho forçado surgiram 10 anos após a Dynasty ter encerrado sua operação de exploração em Xinjiang”, disse Chong. Ela acrescentou que a companhia posteriormente entrou em litígio com seu parceiro chinês por causa do projeto, mas perdeu.

Fonte: Valor Econômico
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