Nova campanha do TRT-RJ alerta para o racismo reproduzido no cotidiano da linguagem

Nova campanha do TRT-RJ alerta para o racismo reproduzido no cotidiano da linguagem

Publicado em 12 de junho de 2026

Por que não se deve usar “denegrir”, “mulata” e “lista negra”? A campanha “O racismo em palavras” incentiva a reflexão sobre expressões e termos que possuem origem ou conotação associada a preconceitos raciais.

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) lança, nesta sexta-feira (12/6), a campanha “O racismo em palavras”. O objetivo é promover a conscientização sobre o racismo presente na linguagem cotidiana, incentivando a reflexão sobre palavras, expressões e termos que, embora muitas vezes utilizados sem intenção discriminatória, possuem origem ou conotação associada a preconceitos raciais.

Iniciativa do Subcomitê Regional de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade do TRT-RJ, a campanha tem como principal veículo de comunicação o Instagram oficial do tribunal e pretende incentivar a adoção de uma comunicação mais consciente e respeitosa, contribuindo para a prevenção de práticas discriminatórias.

A desembargadora Márcia Regina Leal Campos, coordenadora do Subcomitê, reforça a importância da ação: “Combater o uso de palavras racistas é essencial, uma vez que a linguagem molda a nossa realidade. Expressões discriminatórias perpetuam estereótipos, inferiorizam pessoas negras – afetando sua auto-estima e bem estar – e normalizam o racismo estrutural. Desconstruir esse vocabulário é o primeiro passo para o letramento racial e a construção de uma sociedade empática.”

Para a magistrada, o uso de termos preconceituosos reforça um histórico de exclusão e violência e mudar a forma como falamos é uma responsabilidade social coletiva, ajudando a desatar nós históricos herdados do período escravocrata brasileiro. “Nesse cenário, o TRT-RJ, que tem se engajado e se empenhado tanto em implementar políticas ativas de combate ao racismo, realiza essa campanha. Apesar de singela, ela visa fornecer ferramentas que possam aperfeiçoar sua comunicação com seus públicos interno e externo, propondo a substituição de termos e palavras ofensivas e discriminatórias”, pontua a desembargadora Márcia Leal.

primeiro post, publicado hoje, explica por que não é recomendável usar “denegrir”, palavra que, em sua origem, significa “tornar negro”, e a expressão “da cor do pecado”, que remetia à hipersexualização da mulher negra durante a escravidão. Ao longo das próximas semanas de junho, outros termos e expressões serão abordados, como “mulata”, “pixaim” e “lista negra”.

Identidade visual

A identidade visual da campanha foi concebida para transmitir uma mensagem de enfrentamento ao racismo e de reflexão sobre a força das palavras.  A imagem central apresenta uma mulher negra em destaque, com a mão estendida em gesto de interrupção e reprovação, simbolizando o posicionamento ativo contra expressões, atitudes e comportamentos discriminatórios.

Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 1ª Região
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