Novos benefícios para funcionários refletem a pandemia

Novos benefícios para funcionários refletem a pandemia

Publicado em 30 de agosto de 2021

Em 67% das companhias participantes da pesquisa mais itens foram adicionados ao pacote no último ano.

As transformações causadas pela pandemia no ambiente corporativo tiveram reflexos nas cestas de benefícios oferecidas pelas empresas aos funcionários. Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Robert Half, obtida com exclusividade pelo Valor, mostra que 67% das companhias brasileiras passaram a oferecer novos auxílios desde o início da pandemia. A amostra do levantamento, feito em julho, inclui 358 profissionais de diferentes regiões do país e cargos, de assistentes a diretores.

No mesmo levantamento feito no ano passado, e divulgado em agosto de 2020, 41% dos entrevistados haviam indicado a criação de mais benefícios.

Para Mariana Horno, gerente sênior da Robert Half, trata-se de uma adequação ao momento. “Há um ano, tudo era muito novo ainda. Agora já se entende que muitas mudanças aceleradas pela pandemia devem se tornar permanentes”, afirma. Segundo ela, o modelo híbrido de trabalho, que deve ser consolidado como o mais comum entre as empresas no Brasil, é um exemplo. “Com as pessoas trabalhando parte da semana em casa ou com equipes que contam com profissionais parte home office e parte presencial, alguns benefícios se tornam obsoletos e outros chegam a ser obrigatórios.” É o caso do notebook, que muitas empresas não viam a necessidade de oferecer para todos os profissionais, diz a consultora. Com a pandemia, esse foi o principal benefício adicionado. Apoio psicológico e auxílio financeiro para um home office mais confortável e produtivo também são exemplos da nova realidade e adequação das empresas.

De qualquer forma, o benefício ainda mais valorizado pelos profissionais é a assistência médica, com 96,71% dos respondentes mencionando esse item. Também aparecem entre os mais importantes para o empregado os tradicionais vale-alimentação (51,44%) e vale-refeição (48,97%).

Essa percepção de qual benefício é o mais relevante muda ligeiramente de acordo com o nível hierárquico do profissional. Mas assistência médica está sempre no topo, de analistas ao C-level. Para o alto escalão, por exemplo, previdência privada é o segundo item mais importante. Já analistas nem mencionam esse benefício. O mesmo acontece com o carro para uso profissional e particular, relevante apenas para gerentes e diretores.

“Já faz alguns anos que a cesta de benefícios como um todo vem se tornando um aspecto bastante relevante no momento de avaliação de uma proposta de emprego”, afirma Horno. “Quando a empresa não oferece um pacote atraente e adequado, ela não necessariamente perderá o profissional imediatamente, mas grande parte dos candidatos, nesses casos, tende a negociar um salário mais alto.”

Ainda que empresas estejam se movimentando nessa temática dos benefícios, passando a oferecer itens novos mais aderentes ao contexto de trabalho remoto e ao isolamento social, a satisfação dos funcionários com a cesta caiu de 75% no levantamento feito em 2020 para 66% este ano. Horno pontua que essa taxa de satisfação, de modo geral, ainda é alta. “No entanto, alguns indicadores, como a diminuição da satisfação desde o último levantamento e os 60% que acreditam que outras companhias do setor oferecem melhores benefícios podem indicar um descolamento entre as expectativas dos profissionais e o que a empresa está oferecendo”, afirma. “Nesse caso, a orientação é que as empresas se mostrem abertas à escuta e proporcionem canais de comunicação, seguros e transparentes, nos quais os funcionários se sintam confortáveis para expressar opiniões e experiências.”

Ela entende que existem dois desafios notáveis quando o assunto é a cesta de benefícios. O primeiro é a compreensão, por parte das companhias, da importância do pacote de benefícios como estratégia de negócio e pilar relevante de atração e retenção de profissionais. “Oferecer apenas um bom salário não é mais o suficiente para atrair os talentos do mercado”, diz. O segundo ponto, não menos importante, segundo Horno, é o entendimento que a realidade do home office é individual e cada funcionário se relaciona com o trabalho remoto de maneira particular. “As companhias que encontrarem meios de oferecer cestas mais flexíveis, em que o colaborador consiga escolher quais incentivos melhor se adaptam à sua vida, com certeza sairão na frente.”

Fonte: Valor Econômico
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