O impacto do ativismo dos funcionários

O impacto do ativismo dos funcionários

Publicado em 8 de fevereiro de 2023
Por Carlo Pereira

O ativismo de funcionários torna-se uma questão cada vez mais importante no Brasil e no mundo, com os colaboradores usando suas vozes para defender causas nas quais acreditam, dentro e fora do local de trabalho.

Em abril de 2021, na sala de espera de um laboratório, ansioso por mais um exame de covid e pela vida que voltava a ser presencial, me deparei com uma notícia: “Funcionários da Amazon votam contra a formação de sindicato”. Achei no mínimo curioso. Ainda mais por lembrar que, dois anos antes, eles tinham estabelecido uma organização para pressionar a empresa a se mexer contra a mudança do clima. O que resultou no compromisso de neutralidade de carbono da companhia e um fundo de US$ 10 bilhões a serem investidos em clima. Coincidentemente, o mesmo valor anunciado pelo Goldman Sachs para apoiar comunidades negras, depois da pressão de público interno na época do assassinato de George Floyd.

Não quiseram sindicato para lutar por seus direitos, mas se estruturaram para defender suas causas. Foi quando me dei conta da força do nascimento do ativismo de funcionários.

É verdade, historicamente, existiram vários casos que poderíamos classificar como tal. Por exemplo, a pressão para que montadoras se posicionassem a favor dos direitos civis nos Estados Unidos, na década de 1960. Hoje, no entanto, nota-se a mudança na dinâmica empresa-trabalhador. Essa tendência sugere que os funcionários buscam cada vez mais significado e propósito em seu trabalho. Não basta o salário, desejam trabalhar para organizações alinhadas aos seus valores. Que o seu trabalho promova impacto positivo.

À medida em que os trabalhadores se tornam mais engajados em suas crenças e ações, o ativismo deles sinaliza mudança em direção a uma força de trabalho cada vez mais vocal – ser funcionário significa ser agente de mudança da companhia, do mercado e da sociedade em geral.

A ascensão desse fenômeno faz parte de uma mudança cultural importante, maior conscientização sobre questões sociais e ambientais e um desejo de que as empresas desempenhem um papel no endereçamento desses desafios.

Esse movimento é crucial em nossos dias caracterizados por mudanças rápidas, profundas e constantes, onde desigualdade, justiça social, integridade e questões ambientais exigem um esforço coletivo de todas as partes interessadas.

A sociedade entende que as empresas têm a responsabilidade de criar impacto positivo, e os funcionários podem e querem desempenhar um papel significativo para esse propósito.

As empresas que adotarem uma abordagem proativa, e se envolverem em uma comunicação aberta e transparente com seus funcionários sobre essas questões, estarão melhor posicionadas para atrair e reter os melhores talentos e construir uma reputação positiva com os consumidores e outras partes interessadas.

Precisamos ser empáticos, ouvir e nos envolver com nossos funcionários, pois isso levará a um ambiente de trabalho mais positivo e produtivo, bem como a um melhor resultado para a sociedade como um todo.

Fonte: Valor Econômico
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