23 fev O que dizem as entidades do vinho após operação que resgatou safristas em Bento Gonçalves
O que dizem as entidades do vinho após operação que resgatou safristas em Bento Gonçalves
Representantes do setor destacam preocupação em intensificar debate para combater problema.
Representantes de duas das principais entidades do setor de vinho brasileiro manifestaram preocupação com a situação em que os trabalhadores da colheita da uva foram encontrados em Bento Gonçalves, nesta quarta-feira (22).
Uma delas é a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), presidida por Daniel Panizzi. Segundo ele, o setor foi pego de surpresa e ainda está buscando mais informações para entender melhor o caso. O próprio gerente do Ministério do Trabalho e Emprego em Caxias (MTE), Vanius Corte, chegou a afirmar que em conversa com uma das três primeiras vinícolas identificadas com os trabalhadores terceirizidados, o relato dos responsáveis foi de que não imaginavam que os safristas recebiam o tipo de tratamento analógo à escravidão e violento por parte do responsável direto pelas contratações.
A Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho) destaca que a situação da mão de obra para a colheita é um tema que vem sendo discutido no setor há anos e que o tema precisará ser intensificado a partir do que foi descoberto na operação. É o que aponta o diretor-executivo da entidade, Helio Marchioro.
— Os tomadores de serviço contratam na fé que eles estejam trabalhando na melhor forma possível, seja empresa ou trabalhador rural. Por isso o setor precisa abrir um grande debate com Justiça do Trabalho, Ministério da Agricultura, Secretaria Estadual da Agricultura para resolver esse problema da mão de obra temporária.
O caso de Bento Gonçalves não é uma situação isolada pelas informações divulgadas pela gerência regional do MTE, que nessa safra já identificou 170 casos sem registros de trabalho. Em entrevista ao programa Timeline, da rádio Gaúcha, Vanius Corte, afirmou que neste ano o trabalho ilegal tem chamado mais atenção.
— O problema existe, mas não imaginávamos nessas proporções como encontramos na operação. Uma coisa é trabalhador sem carteira, outra é ser submetido a esse tratamento — comparou.
Foram 24 produtores rurais flagrados pelo ministério e dois outros alojamentos interditados neste ano.
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