País precisa qualificar 10 milhões de jovens em dois anos

País precisa qualificar 10 milhões de jovens em dois anos

Publicado em 30 de março de 2023

No ano passado, apenas 1,07 milhão dos 7,9 milhões de estudantes do ensino médio optou pelo ensino técnico concomitante.

Até 2025 será necessário qualificar 9,6 milhões de pessoas somente em ocupações industriais, das quais 2 milhões em formação inicial para reposição e preenchimento de novas vagas. A previsão é da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ainda assim, no ano passado, apenas 1,07 milhão dos 7,9 milhões de estudantes do ensino médio optou pelo ensino técnico concomitante, segundo o Censo Escolar, do governo federal.

Se incluídos cursos técnicos de quem já concluiu o ensino médio, o total vai para 2,1 milhões de matrículas – menos da metade da meta de 4,8 milhões prevista para 2024 pelo Plano Nacional de Educação (PNE). E mais: 43% dos estudantes desconhecem a existência do ensino técnico, aponta pesquisa realizada em 2021 pelo Itaú Educação e Trabalho e pela Fundação Roberto Marinho com estudantes do nono ano do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio da rede pública. A parcela salta para 77% quando incluídos também os jovens que afirmam ter baixo conhecimento da modalidade.

“O ensino técnico é muito mal compreendido pela sociedade”, diz Fausto Augusto Junior, diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudo Sócio-Econômicos). “De um lado temos boas escolas, como Etecs, institutos federais e unidades do Senai, bastante concorridas e com boa entrada no mercado de trabalho. Do outro, temos o diploma do ensino técnico diminuído por parte dos alunos e empresas, principalmente fora do setor industrial, que preferem compensar a defasagem escolar com a exigência de formação universitária mesmo para funções que não exigiriam ensino superior.”

O diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, acrescenta: “Na história do Brasil, há um certo preconceito com qualificações técnicas ou manuais como herança da sociedade escravocrata”. Ainda assim, segundo ele, 76% das pessoas formadas pelos cursos do Senai conseguem emprego em até um ano. Entre os profissionais com maior demanda pela indústria, estão técnicos em da área de metalmecânica, segurança do trabalho, transporte e pesquisa em desenvolvimento.

Já em relação às perspectivas de crescimento, o destaque são para logística, áreas relacionadas ao meio ambiente, automação e mecatrônica. Mas informações com essas chegam pouco às salas de aula. “É preciso falar mais sobre carreiras e trilhas para que os jovens alcancem a profissão desejada”, diz Augusto Junior.

Também os estudantes também gostariam de mais conhecimento sobre a vida profissional. Segundo o estudo do Itaú Educação e Trabalho e da Fundação Roberto Marinho, 75% dos alunos acreditam que a escola não os prepara ou prepara pouco para o mercado de trabalho.

Fonte: Valor Econômico
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