Papel do RH no ESG vai além da contratação de diversidade

Papel do RH no ESG vai além da contratação de diversidade

Publicado em 23 de setembro de 2021

Caroline Carpenedo, diretora global de pessoas e responsabilidade social da Gerdau, diz que a empresa mudou processos internos para empreender uma transformação cultural e atrelou a remuneração de executivos a metas dessa agenda.

A área de recursos humanos tem um papel fundamental para alavancar a agenda ESG que ultrapassa estimular a diversidade da contratação, defende Caroline Carpenedo, diretora global de pessoas e responsabilidade social da Gerdau. Na empresa, essa atuação do RH envolveu mudar processos internos para empreender uma transformação cultural ao longo dos últimos anos, comunicar mensagens que transmitissem novos valores e comportamentos esperados dos líderes e, desde 2019, alterar as metas que estimulam a remuneração de longo prazo dos executivos. “Tudo são símbolos, comportamentos e sistemas. Ter, por exemplo, um sistema de remuneração que recompensa e reforça comportamentos que queremos da liderança é importante”, afirmou Carpenedo em entrevista à editora de Carreira Stela Campos em live da série RH 4.0.

Atualmente, 20% da remuneração dos executivos da companhia está conectada a dois indicadores ESG: alçar mulheres à liderança e diminuir as emissões de CO2. A meta global da empresa, buscada pelos dez países onde atua, é chegar a 30% de mulheres em cargos de gestão até 2025. Há dois anos, esse número era de 18%; hoje é de 23%. A evolução das metas de diversidade e inclusão é acompanhada trimestralmente pelo conselho de administração.

Recentemente, a empresa incluiu em seu código de ética comportamentos que não seriam aceitos por atacarem, por exemplo, a criação de um ambiente acolhedor e inclusivo. “Já tivemos casos de eventuais desligamentos por entendermos que, mesmo após todo suporte, aquele profissional ultrapassou a linha do respeito.”

Um terço das contratações atuais da Gerdau é ocupada por mulheres, já que a empresa destina em seus programas parte das vagas para esse perfil (no trainee, cem são para o sexo feminino). O desafio da empresa é conseguir aumentar a participação feminina na operação. Parcerias com instituições de formação técnica e um programa específico de contratação aumentaram o número de 2% para 5,5% de mulheres nas usinas. “Ainda é pouco, mas só saímos da inércia do percentual de 2% com ações direcionadas e formação.”

A executiva defende que é preciso garantir que a diversidade e inclusão permeie todos os processos. “Para que ela aconteça, precisamos envolver, comunicar e mapear stakeholders, criar embaixadores, treinar e entender por que algumas pessoas ficam em cima do muro e não querem mudanças.”

Assista a live na íntegra no Linkedin do Valor.

Fonte: Valor Econômico
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