20 jan Para analistas, ocupação em 2019 teve leve melhora
Para analistas, ocupação em 2019 teve leve melhora

O mercado de trabalho formal deve fechar vagas em dezembro, como é típico do mês, devido à demissão de temporários contratados ao longo do segundo semestre. Apesar disso, o ano de 2019 deve ter encerrado com ligeiro aumento no saldo de vagas com carteira, em relação a 2018, ainda que abaixo do esperado no início do ano passado – a exemplo do que aconteceu com as expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB).
A mediana de 23 estimativas colhidas pelo Valor Data aponta para o fechamento de 330 mil vagas em dezembro. As projeções variam de -405,5 mil a -270 mil.
Para 2019, a mediana das estimativas aponta para um saldo de 552 mil vagas, sem ajuste para inclusão de dados enviados com atraso pelas empresas, ante 421,1 mil postos criados em 2018. Ao fim daquele ano, os economistas esperavam a criação de 776 mil empregos com carteira em 2019. Apesar do resultado abaixo do esperado, caso se confirme a mediana das projeções, o ano passado terá sido o melhor para o emprego formal desde 2013, quando houve criação de 1,1 milhão de vagas com carteira (sem ajuste).
O Ministério da Economia ainda não tem data para a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de dezembro, mas o indicador costuma ser publicado a partir do dia 20 do mês seguinte ao de referência.
A GO Associados projeta fechamento de 357 mil vagas em dezembro de 2019, contra 334 mil empregos encerrados em igual mês de 2018. “No mês de dezembro há muita destruição de empregos, o saldo é sempre muito negativo e isso é sazonal”, diz Alexandre Lohmann, da GO.
O economista explica que sua estimativa de um saldo mais negativo para dezembro de 2019, em relação ao de 2018, se deve ao maior número de contratações no ano passado. Até novembro, o país gerou 867 mil vagas com carteira (sem ajuste), acima dos 756 mil empregos criados entre janeiro e novembro de 2018.
“Houve mais vagas criadas, por causa disso, a destruição de postos deve ser maior em dezembro, mas isso não indica em nada uma inversão de tendência, é uma consequência lógica dos bons resultados dos meses anteriores”, afirma Lohmann. Por setores, o analista avalia que indústria, construção civil, serviços e agropecuária devem fechar o maior número de postos em dezembro. Já o comércio pode ter um resultado ainda positivo, devido às vendas de Natal.
Para 2019, o analista avalia que os destaques positivos devem ser a construção civil e o comércio, com pior desempenho da indústria de transformação. “Ao fim de 2018, projetava abertura de 750 mil vagas em 2019 e vamos fechar pouco acima dos 500 mil”, diz Lohmann. “É o mesmo que aconteceu com o PIB, que deve ter fechado o ano com alta de 1,2%, quando o mercado esperava 2,5% no início de 2019. A frustração da atividade repercute no mercado de trabalho.”
Para 2020, a mediana das expectativas aponta para abertura de 856,6 mil vagas. O resultado melhor acompanha o desempenho mais forte também esperado para o PIB – a mediana das projeções do mercado está em 2,3%, segundo o boletim Focus.
“Projetamos aceleração na criação de empregos formais e no crescimento do PIB, desaceleração na criação de empregos informais, e uma queda lenta da taxa de desemprego”, escreve Luka Barbosa, analista do Itaú, em relatório. O banco projeta saldo de 595 mil vagas formais em 2019, com taxa de desemprego média de 11,9% e um crescimento do PIB de 1,2%. Para 2020, as estimativas são de 888 mil vagas, taxa de desemprego média de 11,6% e alta do PIB de 2,2%.
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