Paralisação de entregadores aquece debate sobre direitos trabalhistas

Paralisação de entregadores aquece debate sobre direitos trabalhistas

Publicado em 1 de julho de 2020

Aumento da demanda por causa da pandemia deu mais evidência às dificuldades de relacionamento com aplicativos.

Os entregadores de aplicativos como iFood, Rappi e Uber Eats programaram para hoje, dia 1 de julho, uma paralisação de suas atividades. O #BrequeDosApps, como tem sido chamado nas redes sociais, tem como objetivo pedir melhores condições de trabalho às plataformas.

O movimento, que não tem uma organização central de sindicatos ou partidos políticos, reivindica melhor pagamento por entrega, fim dos bloqueios de atuação nos aplicativos considerados indevidos e distribuição de material de proteção individual em meio à pandemia, entre outros pedidos.

A convocação para a paralisação é nacional. A cidade com mais movimentação nas redes sociais é São Paulo, onde os aplicativos têm mais relevância. Estão previstas concentrações em diferentes regiões da capital paulista durante todo o dia.

Os aplicativos de entrega têm cerca de 145 mil entregadores no país. Além de buscar mobilizar os entregadores, as postagens nas redes sociais pedem que os consumidores não façam pedidos, em apoio ao movimento.

A discussão sobre a relação de trabalho entre aplicativos e entregadores tem ganhado força à medida que as plataformas se tornam mais relevantes como opção de compra entre os consumidores e de ocupação para quem precisa de emprego. Com o aumento na demanda por conta da pandemia, as dificuldades dessa relação ficaram ainda mais em evidência.

A Justiça Trabalhista no Brasil já tomou decisões favoráveis e contrárias ao reconhecimento do vínculo empregatício no país. Globalmente, a questão continua em discussão com medidas de governos tentando dar mais direitos a quem presta serviços por meio dos aplicativos.

Na avaliação de um executivo do setor, que preferiu não se identificar, o ato de reivindicar é justo, mas boa parte dos pontos pedidos já têm sido abordados pelos aplicativos em diferentes graus. Na avaliação desse executivo, a expectativa é que o movimento tenha baixo impacto operacional. A questão principal, afirma, é o efeito negativo que a paralisação pode ter para a imagem das empresas.

Fonte: Valor Econômico
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