11 fev Pedidos de demissão voluntária cresceram no Rio Grande do Sul em 2025
Pedidos de demissão voluntária cresceram no Rio Grande do Sul em 2025
O Rio Grande do Sul registrou crescimento nos pedidos de demissão voluntária em 2025, superando as demissões sem justa causa. Dados do mercado de trabalho brasileiro, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que dos 1,573 milhão de contratos com carteira assinada encerrados no Estado, 41% foram por iniciativa dos trabalhadores – cerca de 638 mil pessoas.
O levantamento aponta que outros 38,1% foram demissões sem justa causa por parte da empresa e 17,9% por contrato de prazo determinado. A maior parte dos profissionais que pediram demissão é composta por mulheres, jovens e pessoas com maior escolaridade.
O presidente da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas), José Scorsatto, destaca que os profissionais estão priorizando melhores ambientes de trabalho, escalas flexíveis e proximidade de casa, mesmo abrindo mão de benefícios. Scorsatto recomenda que os departamentos de recursos humanos das empresas investiguem as causas dessas saídas para reter talentos através de uma gestão humanizada. Por fim, ele ressalta que, embora o mercado esteja aquecido, a estabilidade profissional ainda é um fator que gera confiança e melhores salários a longo prazo.
O presidente da Fgtas reforça que os trabalhadores estão priorizando o bem-estar e a flexibilidade em vez de apenas o salário. “O aquecimento do mercado permite que os profissionais busquem melhores condições de vida, como escalas mais favoráveis e menor tempo de deslocamento, mesmo abrindo mão de benefícios como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro-desemprego”, ressalta. Essa mudança é especialmente forte entre mulheres, jovens e profissionais acima de 50 anos, indicando uma mudança profunda no comportamento de diversos perfis demográficos.
Ainda conforme Scorsatto, provavelmente o trabalhador ou trabalhadora, ao solicitar o pedido de demissão voluntária, já tem uma outra oportunidade de emprego. “A mudança não está relacionada à questão salarial, mas sim ao ambiente de trabalho e à escala, que agora está sendo discutida na Câmara dos Deputados com mais força”, acrescenta.
No entanto, o presidente da Fgtas faz um alerta aos profissionais sobre o rodízio no emprego, por exemplo, a cada quatro meses. “É necessário que o trabalhador faça uma avaliação de si próprio para permanecer por mais tempo em um emprego porque gera mais confiança na hora de ser contratado”, comenta.
Scorsatto destaca, também, que a Fundação percebeu um grande movimento de pessoas entre 50 e 64 anos que estão pedindo demissão voluntária. “É uma massa populacional que estava no mercado de trabalho e que agora também começa a pedir demissão voluntária provavelmente porque tem achado outra condição de trabalho”, acrescenta.
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