Pelo 29º mês, trabalhador não obtém reajuste real

Pelo 29º mês, trabalhador não obtém reajuste real

Publicado em 26 de agosto de 2022

Salariômetro, da Fipe, mostra reajuste mediano de 11,9% em julho, exatamente a inflação no acumulado em 12 meses.

A proporção das negociações salariais coletivas que ficaram acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 33,2% em julho. Ainda assim, o país chegou ao 29º mês consecutivo sem ajuste real nos vencimentos. É o que diz o Boletim Salariômetro, produzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Com base em 289 acordos e convenções coletivas analisados no mês passado, o Salariômetro mostra um reajuste mediano de 11,9%, exatamente a inflação no acumulado em 12 meses até aquele mês medida pelo INPC, índice que toma por base a cesta de consumo de famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos. O piso mediano em julho foi de R$ 1.523.

Em junho, a proporção de acordos e convenções que resultaram em um reajuste acima da inflação acumulada havia sido de 41,96%. Ainda assim, os últimos dois meses mostram uma tendência de alta desse grupo, avalia Hélio Zylberstajn, coordenador do boletim.

De janeiro a julho, a proporção dos acordos e convenções que ficaram abaixo do INPC foi de 45,3%, contra 20,7% dos que resultaram em um reajuste real dos salários. Os que resultaram em um reajuste igual à inflação foram 33,9%.

“É uma situação ainda bem assimétrica, mas a situação este ano está melhor que a do ano passado”, nota Zylberstajn.

Na análise por Estados, novamente nenhum teve reajuste mediano real. Os piores resultados ficaram com Roraima (-4,37%), Amapá (-2,97%) e Amazonas (-2,16%). Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Ceará, Minas Gerais e Tocantins tiveram reajuste mediano zero.

Fonte: Valor Econômico
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