22 set Pelo 30º mês, trabalhador fica sem ganho real de salário
Pelo 30º mês, trabalhador fica sem ganho real de salário
Reajuste obtido nas negociações de agosto empatou com a inflação calculada (INPC) em 12 meses, mostra Salariômetro.
Apesar da deflação apontada nos índices de preços em agosto, os trabalhadores brasileiros abarcados por negociações salariais coletivas (acordos e convenções) seguem sem conseguir ganhos reais de salário, mostra boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Com base em 232 acordos e convenções analisados, a mediana do reajuste obtido nas negociações de agosto empatou com a inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses, de 10,1%. Este é o terceiro mês seguido em que o reajuste mediano empatou com o indicador e o 30º mês consecutivo sem ganhos reais nos rendimentos.
No mês passado, 43,4% dos reajustes ficaram abaixo do INPC, ao passo que 30,2% tiveram reajuste acima e 24,1% igual ao índice, que foca na cesta de consumo de famílias de até cinco salários mínimos.
No entanto, para o coordenador do boletim, Hélio Zylberstajn, a perspectiva para os próximos meses é de mudança desse padrão, junto com a desaceleração da inflação em doze meses. “Os trabalhadores sempre perseguem aumento real do reajuste e, quando a inflação abaixa, ele vem junto”, diz.
Apesar de agosto ter sido um mês em que a mediana apontou “empate”, a proporção de acordos e negociações com ganho real (30,2%) já é melhor que a média para 2022 (20,99%). Já na prévia de setembro, embora ainda com poucos dados (52 instrumentos), essa proporção pulou para 63,5%.
O Salariômetro do mês passado também trouxe dados sobre as negociações de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem entre agosto do ano passado e julho desse ano. Os números mostram como os pisos criados pela Lei 14.434 – atualmente suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal – são maiores que os preços praticados no mercado.
Para os enfermeiros, o piso de R$ 4.750 criado pela lei para uma jornada de 44 horas é 64,5% maior à media dos pisos médios negociados e jornadas semanais, que foi de R$ 2.888. Neste valor, estão incluídas as jornadas de 30 horas, 12 x 36 horas, 40 horas e as jornadas com duração não informada.
Para técnicos de enfermagem, o piso de R$ 3.325 da lei é 91,1% maior ao praticado na iniciativa privada no país, de R$ 1.740. No caso dos auxiliares, o piso de R$ 2.375 é 56,9% maior ao praticado, de R$ 1.514.
“O piso negociado é bem abaixo do que a lei estabelece. A lei também ignorou a estrutura interna de remuneração da categoria”, acrescenta Zylberstajn, ao apontar que, sob a nova regra, os técnicos passam a ganhar 70% do que ganham os enfermeiros, contra 60% da estrutura atual.
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