Perspectiva das Negociações Trabalhistas em 2009

Perspectiva das Negociações Trabalhistas em 2009

Publicado em 8 de abril de 2009
Por Antonio Job Barreto

 

Nas negociações coletivas de trabalho que resultaram exitosas nos últimos anos as categorias profissionais obtiveram, na maioria delas, ganhos salariais acima da inflação dos últimos doze meses. O ganho real foi concedido a partir dos resultados positivos alcançados pelos mais variados segmentos da economia brasileira.

 

O quadro neste início de 2009 é bem diferente. Crise econômica global com demissões em massa, a desaceleração da economia brasileira e o aumento do desemprego, apontam que não há espaço para aumentos superiores a inflação. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório recentemente divulgado prevê que poderemos ter no mundo 40 milhões de desempregados a mais do que no ano passado. A tônica das negociações passa a ser a preservação de empregos, não havendo lugar para concessões de aumento salarial.

 

No Estado do Rio Grande do Sul, contudo, poderemos ter um fator externo com capacidade de influenciar as negociações salariais. Referimo-nos ao piso salarial regional. Com efeito, no cenário atual, causa estranheza as notícias de que as Centrais Sindicais em reuniões com o Governo Estadual apresentaram uma proposta de um aumento de 16,7%, que seria o reajuste do salário mínino nacional de 12,05%, mais a média do PIB gaúcho no último ano. A proposta obreira olha para trás e desconhece a realidade da economia gaúcha ainda no olho do furacão da crise. O aumento pretendido certamente resultará em um maior número de demissões e refletirá negativamente nas negociações salariais.

 

Esta intromissão artificial do Estado pode alterar o foco das negociações que efetivamente deve ser o da preservação de postos de trabalho.

 

Queremos acreditar que a Governadora do Rio Grande do Sul terá sensibilidade ao remeter o projeto do Piso Estadual para a Assembléia Legislativa com percentuais de reajuste que reflitam a realidade econômica presente e futura.

 

De toda sorte, diante de uma série de fatores econômicos negativos enfrentados desde setembro de 2008 (inicio da crise mundial), a perspectiva é que os ajustes coletivos com data-base a partir de janeiro de 2009 resultaram em no máximo na reposição igual às variações acumuladas do INPC do período revisando.

Fonte: Agência Fecomércio
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