12 ago Pesquisa aponta apetite por contratações em 2021
Pesquisa aponta apetite por contratações em 2021
Levantamento mostra que 60% das organizações devem recrutar.

Sessenta por cento das empresas pretendem contratar nos próximos meses. É o que indica pesquisa da consultoria PwC Brasil obtida com exclusividade pelo Valor. O levantamento ouviu 62 companhias de 16 setores no país entre outubro de 2020 e março de 2021. Entre as entrevistadas, há desde organizações de até 500 funcionários (55% do total), até grupos com mais de cinco mil empregados (11%), de áreas como agronegócio, tecnologia e saúde, além de serviços financeiros e turismo.
“No período da pesquisa, as contratações aumentaram em 30%, com destaque para os setores do agronegócio e tecnologia, e 60% das empresas pretendem recrutar nos próximos meses”, afirma Flávia Fernandes, sócia da PwC Brasil. “O estudo também revela que aumentaram as ações de readequação e redistribuição da força de trabalho para outras cidades brasileiras e no exterior.”
As organizações estão cada vez mais adaptadas à nova realidade trazida pela pandemia, com ações para garantir a produtividade, mediante políticas que incluam o bem-estar das equipes, diz a especialista. Cinquenta e nove por cento das companhias ouvidas ofereceram ações nessa linha, como meditação e exercícios por vídeo.
O relatório mostra ainda que, com a mudança na rotina dos escritórios, 79% das empresas pretendem manter ou implementar o trabalho remoto e 68% adotarão o modelo híbrido, combinando expediente a distância e presencial.
Do total, 28% encamparam o conceito de “trabalhar de qualquer lugar”, permitindo que os profissionais atuem fora da cidade ou do país de origem da admissão, ampliando as fronteiras do home office. Nesse cenário, 25% recorreram a medidas específicas para empregados em mobilidade global, com 23% delas aderindo ao “virtual assignment” (contratação virtual de alguém em outro país).
A oferta de infraestrutura de trabalho aos funcionários remotos, com reembolso de despesas de internet e de telefone, mais do que dobrou em relação à pesquisa anterior, realizada de março a julho de 2020, passando de 10% para 23% do total. Trinta por cento das empresas estudam seguir com essa prática nos próximos meses.
O estudo também analisou a criação de ações para mitigar os efeitos da crise da covid-19 no curto prazo. Em comparação a março e julho de 2020, as companhias recorreram menos, no período de outubro de 2020 a março de 2021, à redução de jornada com corte de salários (27% e 16%, respectivamente), à suspensão temporária do contrato de trabalho (23% e 11%) e à concessão de férias individuais e coletivas (65% e 56%).
Já as iniciativas para manter a produtividade e garantir o bem-estar dos profissionais ganharam corpo com o tempo entre os mesmos períodos analisados, caso do controle do ingresso dos funcionários no ambiente de trabalho, que passou de 68% para 89% das empresas, e a montagem de comitês internos para administrar casos de covid-19 (de 63% para 82%).
Com as ações de cuidado com pessoal em andamento nas organizações, especialistas do setor de recursos humanos acreditam que novas habilidades serão cobradas da liderança até o final do ano. “Em linha com as exigências da ‘remotização’ do trabalho, os líderes terão de ser muito mais flexíveis e capazes de aprender rapidamente”, diz Thiago Gaudêncio, diretor associado da Page Executive, unidade de negócio da consultoria PageGroup especializada em recrutamento e seleção de executivos para a alta direção.
Por não estar presencialmente com os times, o gestor terá de mostrar maior capacidade de engajar, diz o consultor. “Isso significa levar todo mundo em busca de resultados, no ‘mesmo barco’”, explica. “Esse espírito de equipe é cada vez mais importante e deve crescer com a chegada das novas gerações ao mercado de trabalho, que querem ver o exemplo [da chefia] no dia a dia.”
É o que se chama de “walk the talk”, afirma Gaudêncio, que tem observado a busca desse perfil “mais participativo” em processos de recrutamento recentes em organizações de diferentes portes e segmentos. “Você tem de viver aquilo que fala e ser um exemplo para o time.”
São exigidos ainda líderes com um perfil preparado para navegar em contextos incertos, um ‘mindset’ digital, habilidade para lidar com dados e que tome decisões ágeis, com a sensibilidade de observar além do próprio negócio e o impacto causado na sociedade, complementa Tatyana de Freitas, diretora de tecnologia e digital da Russell Reynolds Associates no Brasil, firma global de advisory com foco na alta liderança.
Na visão de Mariane Montana, diretora de agro, indústria e sustentabilidade da Russell Reynolds Associates no país, características como um olhar “mais inclusivo” também estarão em evidência. “Elas incluem a habilidade de lidar com diferentes públicos e estar aberto ao novo”, diz.
Sobre demandas de contratação, Gaudêncio, da Page Executive, diz que o segundo semestre apresenta, historicamente, mais oportunidades de movimentação de cadeiras do que o primeiro período. De uma maneira geral, setores mais voltados para o consumidor final, como o varejo físico, devem apresentar arranques importantes por conta da evolução da vacinação e da flexibilidade dos governos nas medidas restritivas de circulação, explica.
Outra área que puxará mais vagas nos próximos meses, confirmando as tendências apontadas pela pesquisa da PwC, é o agronegócio. “Teremos um prosseguimento de demanda forte em todas as verticais, desde defensivos e fertilizantes, exportação de grãos, produção de proteína animal e na área de máquinas e equipamentos, até por conta das safras recordes que aconteceram”, detalha. “Sem esquecer do setor sucroalcooleiro, que tem apresentado bons resultados de negócios.”
A expectativa do executivo é que, excetuando o mercado de eventos e turismo, que deve demorar mais para recuperar o ritmo de contratações, há uma tendência forte de alta de admissões em quase todos os setores, inclusive no automotivo. “Embora essa indústria esteja passando por reestruturações, como o fechamento de fábricas no Brasil, percebemos uma retomada bastante significativa das atividades de toda a cadeia automotiva.”
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