Pesquisa mostra risco de ‘apagão’ de professores em 2040

Pesquisa mostra risco de ‘apagão’ de professores em 2040

Publicado em 30 de setembro de 2022

Desestímulo à formação de profissionais pode gerar déficit de 235 mil docentes em 18 anos.

Um estudo revela que o Brasil poderá ter um “apagão” de professores se não investir na formação de docentes para a educação básica. O país precisará de 1,97 milhão de professores em 2040, mas projeções indicam que o total deles cairá 20,7% em 18 anos, gerando déficit de 235 mil profissionais. Os dados são da pesquisa Risco de apagão de professores no Brasil, do Instituto Semesp, divulgada nesta quinta-feira, 29.

O principal motivo para a redução contínua do número de professores é o desinteresse pela carreira, marcada por baixos salários e más condições de trabalho. Hoje, a proporção é de 20 estudantes com idades entre 3 e 17 anos na educação básica para cada docente em atividade.

O cenário atual é de preocupante redução do número de concluintes da graduação. O percentual de formados em cursos de licenciatura apresentou crescimento de apenas 4,3%, devido à alta evasão em Ensino a Distância (EaD), que ganhou destaque especial com a pandemia de covid-19.

Desde 2020 a modalidade representa 73,2% dos novos alunos, porém tem alto índice de abandono. O número de ingressantes em cursos presenciais de licenciatura diminuiu 37,6% nos últimos dez anos. Em média, um a cada três alunos ingressantes não termina a faculdade.

“Com base nessa pesquisa, fica claro que o principal problema do Brasil não está relacionado à formação de docentes na modalidade EaD porque os dados mostram que na verdade não estamos formando novos professores. Os jovens não demonstram interesse pela carreira de professor”, aponta o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato.

Além disso, o crescimento de ingressantes em licenciaturas, de 2010 a 2020, foi bem inferior ao crescimento registrado nos demais cursos. Em dez anos, o número de calouros em licenciaturas cresceu 53,8%, porém, nos demais cursos o índice foi de 76%.

Entre os ingressantes com até 29 anos houve aumento de 29,7% do corpo discente, enquanto nos demais cursos o número chegou a 49,8% na mesma faixa etária.

“Esse crescimento de estudantes acima dos 29 anos se dá, em sua maioria, por pessoas que já trabalham na educação. Isso acontece em razão da lei que obriga o professor em exercício a ter formação mínima na área de pedagogia ou em licenciaturas para o magistério na educação básica” explica a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira.

A pesquisa mostra que o desinteresse dos jovens em seguir a carreira de professor está relacionado a diversos problemas, entre eles o processo de precarização da profissão, como a baixa remuneração e a falta de reconhecimento de sua importância na sociedade. Em 2020, um professor do ensino médio no Brasil recebia, em média, um salário de R$ 5,4 mil mensais, o que representa cerca de 82% da média geral da renda mensal das pessoas empregadas com ensino superior completo (R$ 6,5 mil).

“Para reverter o cenário e estimular que pessoas escolham a carreira de professor, é necessário tornar a profissão mais atrativa para os jovens. Melhorar a remuneração, a segurança dentro das salas de aula, a infraestrutura das escolas”, afirma Capelato.

Fonte: Valor Econômico
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